O Argumento, Ou a Pedra Fundamental de Cmyvllaeth

Ao longo do processo de desenvolver o projeto SteamlessPunkless, ou seja, o mundo de Cmyvllaeth, surgiram algumas ideias principais que foram como guias, algo como as pedras fundamentais que sustentaram o processo de desenvolvimento deste cenário. Penso nesses pontos como aquilo que diferencia este mundo fantástico e que, quando apresentados, podem mostrar uma primeira visão de como funciona. Seria como o argumento por trás da criação, o primeiro escopo do cenário.

Neste post vou tentar falar um pouco destes temas que, à primeira vista, ou tem uma maior importância, ou um maior diferencial dentro de Cmyvllaeth.

O primeiro de tudo e mais importante é algo que já foi citado: Cmyvllaeth não é um mundo medieval.

Muitos séculos se passaram desde a “era das trevas” desse mundo, onde as grandes civilizações eram povoadas por camponeses ignorantes que aravam sua própria terra, praticavam escambo para conseguir o que eles próprios não produziam e tinham que pagar dízimo aos seus reis, que eram o poder único e absoluto. Nos tempos atuais (369 depois do grande êxodo, segundo Darai), as nações do continente de Rehki (agora chamada de Rehquia) possuem bancos, papel moeda, uma sociedade que preza a produção artística, método científico e apenas Riddahri ainda é governada por um poder absoluto.

Existem lugares onde ainda reina a selvageria e a ignorância, na própria Rehquia ainda existem povos que vivem como bárbaros em comunidades em regiões montanhosas e frias. Outros continentes também abrigam culturas menos avançadas ou simplesmente exóticas. Para todos os efeitos, Rehki é como se fosse o equivalente à Europa de Cmyvllaeth, um lugar onde o cidadão de respeito precisa estar com seu chapéu e os cavalheiros mais ricos passeiam em charretes usando terno, na maioria das vezes gravata, bengala e uma cartola ou chapéu coco, de momento em momento checando a hora nos seus insanamente caros relógios de bolso.

Alguém muito rico em Tirasli ou Darai se vestiria neste estilo.

Magia praticada por humanos existe, mas ela é fraca e muito custosa.

Em Cmyvllaeth um mago é, antes de tudo, um cientista. É preciso anos de estudo em diversas áreas no campo da ciência para alguém estar habilitado a utilizar magia. Em paralelo a isso, é preciso treinar diversas técnicas mentais de concentração e divisão de pensamento para que possa ser possível manter um feitiço estável e analisar as diversas variáveis que compõem o seu lançamento. E, para piorar toda a situação, você precisa usar sua própria energia para alimentar a mágica. Um dia existiu mana no mundo, mas ou o ser humano não pode utilizá-la, ou ela não existe mais. A magia precisa de um combustível e o único que os magos conseguiram encontrar foi sua própria vida. Quanto mais você sabe sobre o que quer fazer, digamos, como funciona a combustão, mais fácil de fazer aquele graveto pegar fogo. Mas é sua própria energia vital o combustível, então melhor moderar um pouco.

Cmyvllaeth não é um mundo high-magic. Não existem dragões saindo por aí cuspindo fogo enquanto cavalgados por cavaleiros e nem magos soltando bolas de fogo nas hordas de goblinóides que querem tirar sua vida. “Bestas mágicas” existem, mas elas não são corriqueiras, como animais comuns, são vistas quase como seres sobrenaturais, fora daquilo que é visto como normal, monstros perigosos aos quais se temer e que figuram em histórias para assustar crianças. Mas, ainda assim, existem em quantidade maior do que o homem civilizado gostaria e há aqueles que caçam tais monstruosidades, seja por dinheiro, por vingança ou por altruísmo. Contudo, são muito fora do corriqueiro para que sejam muitos os que se arrisquem nessa tarefa… diabos, aqueles moluscos de um metro cospem ácido!

Você não verá muita coisa assim em Cmyvllaeth (Ok, talvez algo tipo o Raistlin, porque ele é foda)

Cmyvllaeth é um mundo de humanos.

Vocês não vão ver orcs ou goblins andando por aí, nem mesmo fabulosas cidades de elfos. Os seres humanos são a única raça humanóide com inteligência o suficiente para criar sociedades avançadas e construir um conhecimento científico. Talvez existam criaturas estranhas em algum lugar do mundo vasto, mas, caso isso seja realmente verdade, não passam de seres que mau se acostumaram a viver em tribos e desconhecem o conhecimento de fazer fogo e armas mais avançadas do que pedras.

Não existe magia divina.

Pois é. Nada de curar ferimentos com o poder dos deuses – não é nem mesmo certo que os Dynl realmente existam. Quem se machucou, se machucou de verdade. Magia pode ajudar um pouco, mas não é muito melhor do que tomar remédios e tratar do ferimento. Algumas culturas possuem segredos, poderes que os cientistas não conseguem estudar, que parecem ganhar força através de rituais, de danças e cânticos, mas é algo muito sutil e que não pode ser controlado à vontade. Há quem diga que isso não existe, que a única forma de magia é aquela praticada pelos magos e alquimistas, mas tais poderes existem e são fatos ainda não explicados. Mas o que importa é: não existem clérigos em Cmyvllaeth.

Anões Clérigos estão duplamente proibidos.

Armas corpo-a-corpo e armaduras ainda são usadas em larga escala.

Como nunca desenvolveram armas de fogo e devido ao surgimento da alquimia e mais tarde da magia, o desenvolvimento da pólvora acabou não recebendo muita atenção. as nações desenvolvidas acabaram apostando nas bestas como arma de morte. Pode-se encontrar bestas muito avançadas em Cmyvllaeth, semelhantes às bestas modernas fabricadas hoje em dia. Contudo, armaduras ainda podem parar virotes (munição disparada por bestas) e, por esta arma de longo alcance ter baixa cadência de tiros, permite uma aproximação para combate corpo a corpo, onde espadas, machados e maças ainda cumprem seu papel. O arsenal básico de guerra de um soldado ou guarda não difere muito, em matéria de função, daqueles utilizados no início da renascença, portanto.

Em Cmyvllaeth as coisas estão acontecendo agora.

Acho que essa foi uma idéia muito bem sacada minha. Na maioria dos mundos de fantasia, a maioria das coisas estão já criadas e estabelecidas, tudo de importante já foi criado, muitas instituições, muito do conhecimento. Mas em Cmyvllaeth as coisas estão sendo descobertas agora. Não faz mais de sessenta anos que o primeiro cientista conseguiu utilizar magia, morrendo no processo, há apenas vinte e quatro anos magia foi usada em combate pela primeira vez, as organizações relacionadas à magia ainda estão para serem criadas, existindo apenas no esboço. A alquimia foi descoberta há mais de trezentos anos, é verdade, mas é apenas com o surgimento da magia que ela pôde alcançar sua melhor época. Nações como Darai e Tirasli estão em pleno desenvolvimento e em plena mudança política. Grandes mudanças estão para acontecendo em Cmyvllaeth e as pesquisas em relação à magia, ciência que tambem esta em crescimento, que permitem isso. As grandes nações estão numa pré-revolução industrial e em algumas décadas, devido aos avanços trazidos pela magia, Rehquia pode acabar entrando numa era realmente Steampunk. Mas isso ainda estaria por vir, todo esse processo de transição e descoberta estaria acontecendo agora. Nenhum caminho estaria, de fato, decidido.

Acho que com isso já da pra ter uma primeira visão de como é o mundo, de quais são os pontos “principais” dele.

Mas e então, no próximo post pretendo falar mais incisivamente sobre alguma coisa do cenário. O que gostaria de ver no próximo post, leitor?

Renan Barcellos, que estava bebendo gelo com coca

e ouvindo “Even Flow” do Pearl Jam.

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17 comentários sobre “O Argumento, Ou a Pedra Fundamental de Cmyvllaeth

  1. Era disso que eu estava falando! Começar a receber informações sobre Steamlesspunkless!
    Rapaz, devo dizer o que mais gostei foi essa de “as coisas estarem acontecendo agora”. Sério, não me lembro de ter visto isso sendo usado antes. :D

    No próximo post eu gostaria de ver… Quem estou tentando enganar? Qualquer coisa será muito bem-vinda! :D

    P.S: Qual é o seu problema com anões clérigos, hein? -qn

    • Esse lance das coisas estarem em construção foi uma das primeiras coisas que eu defini for sure. Veio até antes da coisa vitoriana (na verdade, muito veio antes do lance vitoriano, mas wtver).
      Eu queria mostrar algo onde alguns dos must have da fantasia ainda estivesse em desenvolvimento e não definido a eras como é o comum (ou sendo descoberto no decorrer do livro, como também acontece), mas que fosse parte de uma história recente.

  2. Muito bom. (: Até agora, pelo menos, o cenário está bem amarrado e conciso. Gostaria de ver um trecho de algo escrito em Cmyvllaeth, tho.

    • Tom, eu tenho algumas coisas que fazem parte de Cmyvllaeth, mas elas são um pouco bastante anteriores à resolução “principal” do cenário, que é a ideia SteamlessPunkless. Ainda tenho que atualizar esses contos e mesmo assim talvez acabe por não mostrar muito da ideia vitoriana devido à situação em que eles acontecem.

      Mas estou escrevendo um (ainda no caderno) que deve dar para passar melhor o clima. Mas ainda vai demorar um pouco para eu terminar :x

      • Cara, eu não concordo com o ponto de vista do Diego, mas cuidado pra não acabar caindo pela outra borda, ok? :3 Planejar demais e não escrever a ficção propriamente dita é meio… pointless. Escreva logo que quero lerrrrr.

      • Tomm, eu tenho contos em Cmyvllaeth, mas houve grandes mudanças recentes na ideia do cenário, então eles estão “desatualizados”. Estou escrevendo outros dois, mas ainda não terminei eles e tava escrevendo um conto Cyberpunk no momento. O problema é que os contos que já tenho (e um que esta por ser é escrito”, eles são muito “aventurescos”, não passam ainda principal mudança de perspectiva em relação à um cenário medieval, saca?

  3. Tenho comentário relativos à redação do post, porque sou chata: esse trecho está meio esquisito: Quanto mais você sabe sobre o que quer fazer, digamos, como funciona a combustão, mais fácil de fazer aquele graveto pegar fogo.

    No mais, acho que dízimo não é tão adequado para o caso em que te referiste, pois é mais voltado para a contribuição paga à igreja.

    A história de as coisas estarem acontecendo agora é a que mais instiga a curiosidade. Dá a sensação de Microscope, de que acompanharemos grandes mudanças e revoluções… E isso é legal.

    Acho que gostaria de entender mais sobre o grande êxodo, também, e de por que não surgiram armas de fogo, já que é um cenário em que a magia não é tão desenvolvida (e então, em minha visão, já que eles conhecem a pólvora, não me parece haver razão suficiente para seu uso não ter sido considerado).

    • Ju, eu pesquisei um pouco e vi que muitos reis cobravam dízimo também, além da igreja, mas ainda assim talvez não seja o termo mais adequado (embora signifique apenas “A décima parte”, até onde pude apurar).

      O grande êxodo não é algo que eu tenho muito bem definido, mas sim várias ideias que eu ainda tenho que decidir e expandir. Em geral é um ponto bem controverso, mesmo entre os historiadores de Darai. Quanto à pólvora, ainda tenho que pensar direito em que ponto exatamente da evolução da alquimia desvirtuou o caminho científico em relação ao nosso, Mas basicamente seria por ter seguido uma prioridade diferente e por não ter chineses explodindo coisas por aí. Creio que falarei mais disso quando eu falar da evolução da magia/alquimia.

  4. AGOOOOOOOOOOOOOOORA SIMMMMM!!!!

    *-*

    Agora to entendendo qualé desse Cmyvllalalayylalalaeth. :P

    Velho, ta massa! Como algo de verdade deve ser sem buffs, sem healing, e sem armas muito letais a longa/longuíssima distancia. ;D

    Nhoooooooooooooo, nao vai ter orcs? T.T

    • Que bom que começou a ficar mais claro xD
      Eu queria fazer algo mais realista, para não parecer um cenário tirado da ideia de um RPG, aí tive essas conclusões sobre magias de cura e coisa e tal.
      Buffs de certa forma até que existem, mas não é sobre deixar um cara mais forte ou coisa assim por magia (embora possam haver drogas que façam algo desse jeito), mas um mago poderia, por exemplo deixar uma armadura mais resistente por um tempo (alterando a durabilidade do metal, propriedades químicas e etc), ou então criar uma resistência maior na atmosfera ao redor de alguém, quase como uma barreira. Mas isso seria um pouco complicado e bem fraco.

  5. Renan, como são as mulheres em Cmyvllaeth? Os personagens femininos costumam ter alguma relevância ou são apenas protagonistas de algum romance ao logo da narrativa? Gostaria de saber um pouco mais sobre o seu comportamento.

    • Gostei da pergunta de Ingrid!! Especialmente depois daquele post de Heitor. Tenho interesse na resposta, também, apesar de saber um pouquinho de duas das personagens… ‘-‘

      • Bom, o cenário é baseado na era Vitoriana, e naquela época as coisas não eram muito legais para as mulheres, a sociedade era bastante machista e a mulher não tinha muito espaço em desenvolvimento científico e muito menos no cultural, se comparado com hoje em dia. Quanto à trabalho, normalmente apenas com vendas, negócios familiares e as mais pobres com serviços na indústria (que já começou em alguns segmentos da produção de Darai e Tirasli)

        Contudo, devido à parte da fantasia existem mulheres que ocupam “cargos” que não “esposa” e “dona de casa” e as possibilidades citadas. Não é muito comum, mas pode-se encontrar mercenárias e aventureiras sancionadas por grandes empresas de expedições.
        O campo da ciência ainda resiste um pouco à presença feminina, mas Asta, uma mulher que viveu a 300 anos atrás Darai é considerada a primeira pessoa a criar um feitiço e aproximadamene 35% dos magos da terceira geração são mulheres.

        Agora, sobre personagens que aparecem no livro que vou escrever, há três personagens femininas que são muito importantes para a trama e uma quarta que não receberá muita atenção, mas que depois terá uma relevância maior.

  6. Demorei mais cheguei.
    Haverá um apendice para esclarecer origens de nomes? Darai, Dynl, Tirasli, Cmyvllaeth e qualquer outro nome fantasioso.
    Sem magia divina é a melhor parte, lá na mesa de rpg tirei os deuses e qualquer tipo de cura não-natural, antes o pessoal agia de forma agressiva, sem estratégia e sem qualquer noção de perigo. Agora que não há clérigos e a saúde se regenera com uma boa noite de sono junto com boa refeição, estão todos com cautela, conversando mais do que sacando armas, armando armadilhas e procurando outras soluções que não envolvam suicídio desnecessário.
    Enquanto que tudo no cenário acontece agora, ainda está sendo definido, não é errado pensar que existe uma nação se preparando para um grande ataque contra a mais próspera, ou mesmo bárbaros que não aceitam o avanço dessa tecnoalquemagia no mundo de Cmyvllaeth, possam trazer problemas diplomáticos.
    Loucura minha, mas é por aí que andei pensando

    • Eu tirei magia divina porque ela tira muito do perigo e do drama. As pessoas podem se ferir pra caramba que é só ir lá e curar o ferimento com mágica instantaneamente. Eu queria que os perigos fossem mais dramáticos, que a aposta de uma luta fosse mais alta.
      Sim, o que você falou é bem válido, sobre alguma cultura não aceitar os avanços (inclusive, existe algo assim no cenário), mas ainda não me foquei muito nesse aspecto porque não seria muito focado no primeiro livro, apenas mencionado.
      Quanto aos nomes, eu pretendo comentar a origem da criação, digo, como eu pensei no nome, mas eu não lembro todos. E tambem pretendo explicar o porque de terem tal nome no cenário (mas, novamente, não todos). Isso virá com o tempo.

  7. YAY Finalmente li! Não me odeie! ):

    Quero mapas por favor. D:
    Primeiramente pra não ficar boiando quando você cita uma cidade/reino/estado/capital/mundo/céu/laranja/chocolate [????]
    Segundo porque seria bom ter em mente como é a organização de Cmyvllaeth (copiei e colei o nome pra não errar rsrsrs).
    Acho que podia inclusive anexar ao mapa a explicação da origem dos nomes que bem cê respondeu ali pro Deividê Elvên~

    E como assim sem Elfos deliciosos, estou ofendida. Mentirinha.

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