Anjos em Ethandun – Parte 2

Anjos em Ethandum foi um conto legal de escrever. Eu tinha acabado de ler crônicas saxônicas, de Bernard Cornwell, acho que o terceiro livro, creio eu, onde o personagem Uthred narra a batalha de Ethandun, que pode-se dizer que definiu o futuro da Inglaterra.

O conto foi todo baseado numa frase que o personagem diz após a batalha. Ele reclama que mais tarde os padres cristãos iriam florear a batalha e tirar o crédito dos guerreiros, dizendo que anjos com espadas flamejantes desceram à terra para punir os inimigos de deus. À partir disso eu tive a ideia de escrever esse pequeno conto, que foi escrito por pura diversão. E que trouxe algumas horas de pesquisa também, mas eu gostei de escrever com esse tipo de narração.

As batalhas na época em que o conto se passa se pareciam muito com isso, embora a imagem mostre saxões lutando contra saxões.

Caso não tenha lido, aqui o link para a primeira parte =)

Aconteceu muito antes dos anglos ousarem chamar esta terra de Englaland, antes de Guthrum, o rei de Danelaw – pedaço de terra que os dinamarqueses conquistaram aqui, em Britannia – enfraquecesse e se cristianizasse, adotando como novo nome Æthelstan… Ora, veja só que ridículo: Um dinamarquês chamado Æthelstan. E ainda por cima o padrinho de batismo dele fora o próprio Ælfred! Me pergunto o que dirão de Guthrum daqui a alguns anos… Bem, não importa. Para o que vou contar basta saber que tudo começou com a tomada de Chippenham.

Acho que devia estar em torno de 875… Não funciono muito bem pra datas… O que importa é que foi perto do natal. Ælfred, seu tão adorado rei, estava em Chippenham cuidando de algum afazer quando tudo aconteceu. O ataque foi rápido. Brutal. Em poucas horas a cidade havia caído e lá erguemos nossas paliçadas e transformamos a cidade em um forte. Ælfred – aquele que agora é chamado de “O grande” –, mal conseguiu escapar com vida daquele cerco, fugiu com parte de sua guarda real para então se embrenhar nas florestas ou pântanos do país. Não sabíamos que ele estava na cidade, o que foi um erro, deveríamos ter essa informação dos nossos espiões. Se seu rei tivesse caído ali, toda história seria diferente.

Aquela foi uma invasão gloriosa, tendo a cidade como forte, rapidamente nos espalhamos pelo seu país e logo não havia uma pessoa que não houvesse visto o brilho de uma lâmina dinamarquês ou ouvido relatos assombrosos sobre os ataques. Saqueamos, matamos… Fizemos o que queríamos com este lugar, sempre zombando de seu rei covarde que se escondia no mato como um cão. Mas Guthrum sabia que tudo só estaria acabado quando a cabeça de Ælfred estivesse pregada em um espeto, onde todos pudessem ver.

O tempo mostrou que não precisaríamos procurar pelo seu rei destronado, víamos por vezes cavaleiros solitários ou padres abatinados cruzando o reino e levando informações para onde pudessem. Os senhores de grandes pedaços de terra se alvoroçavam, pareciam se preparar para algo que viria. Talvez pensassem que não tínhamos espiões e não sabíamos o que iria acontecer, ou talvez soubessem disso e contavam com o nosso conhecimento. De uma maneira ou de outra, Ælfred estava convocando o fyrd.

Da maneira que eu falo talvez pareça que o rei convocava grandes hordas de guerreiros para combater em seu nome, mas não era assim. O fyrd, como deve saber… Ah, cale-se! Sei que sabe o que é o fyrd, mas faz parte da minha história contar. Boca fechada? Ótimo. O fyrd era composto pelos homens de uma região capazes de portar uma arma. Qualquer arma. Portanto, em vez de guerreiros Ælfred convocou bandos de camponeses com enxadas, pás e espadas velhas para lutar. Todos foram convocados para um lugar onde as tropas saxônicas tivessem uma grande vantagem pelo terreno. Ælfred queria derrotar os dinamarqueses em uma grande batalha e então tomar suas terras de volta. Estava disposto a arriscar muito, pois sabia que demoraríamos muito para organizar outro exército, devido à distancia de nossa terra natal. E a luta logo aconteceria.

Estátua de Alfredo em Wantage, na Inglaterra
Alfredo pode estar bem imponente aqui, com seu machado, mas ele nunca foi conhecido por ser um grande guerreiro, mas sim por ser um patrono do conhecimento.

Acho que por hoje é isso. No próximo post falarei de onde veio a ideia desse estilo de narração e também terá a ultima parte do post (e possivelmente uma explicação sobre os termos incomuns deste conto.)

Curiosidade sobre o conto: sua primeira versão tinha exatamente 10.000 caracteres.

Até a próxima =)

Renan Barcellos, que bebia água

e vivia a lenda, vivia sozinho, querendo abraçar as velhas histórias.

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8 comentários sobre “Anjos em Ethandun – Parte 2

      • Agora, de verdade: você justificou o post! ‘0’

        O conto tem uma leitura fluida, gosto disso. Quero saber o resto da história.

        Em relação à figura, como aqui estamos em um contexto diferente, i.e., dentro de um conto, eu preferiria vê-la após o mesmo, não no meio do texto…

        Referências são e serão bem-vindas.

        Ah, uma coisa legal de fazer quando os posts têm continuidade é acrescentar os links para as outras partes do mesmo, para facilitar a vida d@s leitor@s…

      • Sim, sim, eu achei a opção de justificar =) (na verdade quando fiz esse ainda não tinha achado, aí tive que procurar o codigo html e colocar em cada post… D:)
        Editei para colocar a figura depois, realmente ficou meio estranho no meio do conto. Aí resolvi colocar uma no inicio também, para não perder o costume que venho seguindo :)
        E já adicionei o link para a primeira parte. Eu ia fazer isso mas… esqueci :x
        Obrigado por ler =DD

  1. Mais fluido e dinâmico que o primeiro. Gostei mais. Mas ainda sim muito curto e meio que destoou do primeiro. Parecia que o skäld iria começar já falando da batalha de Ethandum e dizer o que aconteceu e como aconteceu. Talvez assim, teria uma maior linearidade e um maior espaço para um descrição de uma batalha épica, já que o titulo e o fim da primeira parte dá a entender que anjos realmente aparecerão.

    No aguardo.

    Abraços!

    • Acho que ficará um pouco decepcionado com a terceira parte, infelizmente, porque acabei não falando muito da batalha em si, apenas do “evento chave”, digamos assim. Mas espero que simpatize com o final ^^

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