Uma primeira visão da República de Darai

O Reino de Dwyrain, atual República de Darai, foi a primeira nação que criei para Cmyvllaeth e foi feito com a idéia de ser a principal ambientação para as histórias e contos que eu iria escrever. Na época em que pouco do cenário havia sido pensado, quando o plano ainda era fazer uma história puramente medieval, Darai iria ser uma nação que não se espelhava em nenhum correspondente específico de nosso mundo, seguiria a idéia medieval-fantástico, tendo suas próprias características e um pouco da mistura de várias culturas. Contudo, conforme meus planos foram indo em direção a algo vitoriano e tentando ser cada vez mais steampunk sem ser steampunk, essa noção acabou mudando um pouco.

Com a idéia do vitoriano, Darai acabou tomando como inspiração direta a Inglaterra. Não que seja de fato uma “encarnação” inglesa em um cenário de fantasia, mas toma emprestado dos bretões muitas noções e estilos. Talvez o principal deles seja a iminência de uma revolução industrial pioneira, bem como a redescoberta da magia, que também evoca esse conceito de uma quebra de paradigmas que foi realizado pela Inglaterra durante a Era Vitoriana.

Ruas em Darai, e no continente de Rehquia em geral, possuem aspectos semelhante à desta imagem

Mas Dwyrain não é nativa do lugar que seria a minha Grã-Bretanha, Rehquia. Também chamada de “A Nação Estrangeira”, a origem do povo da Darai remonta uma ilha muito distante, a nordeste de Rehquia. Não existem muitos registros históricos daqueles tempos. Naquele outro lugar, uma catástrofe que não é mencionada em canais oficiais forçou o povo a uma grande migração, abandonando sua terra natal, suas casas e suas posses. As lendas falam de uma grande frota de navios, uma incrível armada, que de uma só vez trouxe todos os cidadãos, de camponeses à realeza, para a nova terra, onde começaram uma nova vida.

Os atuais historiadores têm certas dificuldades para separar os fatos dos mitos, já que poucos documentos oficiais foram feitos naquela época tumultuada e pela tendência quase unânime de não relembrar o passado, coisa que parecia ser “incentivada” pelo governo da época. Contudo, é de aceitação geral no meio acadêmico que o grande êxodo não passa de um mito. Rehquia já havia sido descoberta e começado a ser explorada pelo menos quarenta anos antes do início das viagens, que podem ter durado quase uma década para se completarem. Houve problemas de cunho social, caos e desorganização no início dessa mudança, mas, para o espanto dos que estudam o passado, isso durou muito menos do que se esperaria, a própria população parecia empenhada em iniciar uma nova vida.

 Os motivos do Grande Êxodo nunca foram descobertos, mas alguns contos e rumores macabros que venceram os séculos falam sobre doenças, morte, batalhas e uma loucura que se espalhava pelo exército.

Por ter vindo de outro continente e não partilhar de certos dogmas e tabus encontrados nas culturas nativas de Rehquia, o povo de Dwyrain foi o pioneiro na arqueologia, coisa que acabou levando a significativos avanços científicos na área da química e da física, além da descoberta da alquimia a da magia. Em constante evolução durante o decorrer de quatro séculos, esses conhecimentos levariam às tecnologias atuais, que mais à frente na cronologia do cenário, permitiriam uma espécie de revolução industrial baseada em ciência e fantasia, além surgimento da classe operária, massificação da leitura, consumismo e outras coisas que surgiram durante o período vitoriano.

De um lado há a arrogância, opulência e “honra” dos novos ricos…

Embora exista um “boom” científico e comercial, com negócios novos surgindo e desaparecendo todos os dias, indústrias já estabelecidas e segmentos começando a despontar, e embora a nação esteja mais rica e poderosa, Darai vive tempos instáveis.

Depois de um período conturbado, do desaparecimento do Rei, das guerras civis, do golpe de estado, da formação do Parlamento e da Guerra da Magia, muita gente conseguiu o seu quinhão de lucro. As mudanças na sociedade favoreceram o surgimento da alta burguesia, os pequenos lordes, como são chamados, que destoam da velha aristocracia e mostram o início da mudança do Status Quo.

No entanto, nada disso foi benéfico para as camadas mais pobres, que vivem cada vez uma vida menos saudável. Em meio à repressão e abusos do novo governo, os que foram pegos pela falsa propaganda das indústrias deixaram suas terras do interior e foram viver em condições precárias nas cidades grandes. Oprimida, a burguesia de classe média boa situação, tendo que viver sob um regime que não aprovam e que, por mais que traga benefícios ao mercado, coage o pensamento e restringe a liberdade.

Do outro a confusão, pobreza e falta de liberdade das classes mais baixas.

Como é possível observar, problemas e particularidades oriundos da Era Vitoriana despontam em Darai. É meu objetivo fazer também sutis referências a personalidades daquela época, embora não os usando de forma direta, como personagens ativos, apenas fazendo menções, como já ocorre com Lorde Byron, Ada Lovelace e Charles Babbage – importantes na descoberta e evolução científica da magia.

Logo quando comecei a escrever o livro, depois de todo o processo de fazer um resumo de todos os capítulos, percebi que eu queria que existisse uma partícula a mais de um punk no cenário. Algo do que estou inserindo vai da própria luta entre classes e arrogância do período vitoriano, mas aos poucos estou inserindo elementos de uma quase ditadura (embora não muito competente, talvez), que, futuramente, além das primeiras histórias que escreverei, levariam a uma série de revoltas contra o Estado e um clima mais negro e sujo (Steampunk, oi?). No entanto, essas noções ainda estão sendo estudadas.

Bom, para uma primeira apresentação de Darai acho que é o que tenho a dizer. Muito mais já foi definido e pensado, mas precisei fazer um post mais… genérico. Como sempre, aceito sugestões e críticas. Também gostaria de ver o que os leitores querem saber sobre o cenário, sobre Darai ou outra coisa, pois minha maior dificuldade nesses posts é decidir o que falar e até onde falar xD

Até a próxima! =)

Renan Barcellos, que se viu com sede

No fim do dia de mais um dia.

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3 comentários sobre “Uma primeira visão da República de Darai

    • Isso é uma coisa que terá que ficar para mais tarde xD
      Ainda não decidi de que forma a magia afeta o cidadão normal. Embora, no momento, seja bem pouco. A alquimia acabou tendo uma maior relevancia à vida corriqueira. A magia ainda esta em fase mais acadêmica e começando a ser usada para guerra (futuramente, como tudo usado em guerra, começará a penetrar o mercado normal)

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