Projeto A – Semanas 7 e 8 – As 50.000 palavras e 25% de conclusão.

Essas duas semanas foram o marco das cinqüenta mil palavras!
Essa é a boa notícia.

A má é que, se antes eu imaginava que o livro com toda certeza não passaria das 170.000 palavras, hoje em dia, acho que ele chega fácil a 200.000 (mas acho que vai morrer em 210.000 no fim de tudo). Então eu, que pensava que estava lá pelos 30% do livro, agora acho que estou em 25%, apenas.

Essa contagem seria para tudo que foi escrito em si. No entanto, nas revisões finais, provavelmente irei cortar algumas passagens que não são tão importantes. Como considero tudo importante, afinal eu planejei a maior parte da história antes sequer de começar a escrever, terei um pouco de trabalho me convencendo que preciso retirar algumas coisas. Acredito que, principalmente, essas coisas vão acabar sendo passagens que servem para colorir o cenário e mostrar mais dos personagens… O que é algo que me entristece um pouco.

Pra variar, foto tirada por mim. Dá pra ver minha letra mais do que bela.

Acontece que uma das coisas em que imagino que o livro esteja pecando mais é justamente no quanto dos personagens é mostrado. Isso provavelmente é reflexo de eu ter escrito vinte ou mais paginas de background para cada um deles, imagino, mas ainda assim, o plano é que cada um dos personagens principais – e eles são cinco – tenha o seu brilho e tenha sua importância e história tão desenvolvidas quanto qualquer outro.

Durante o “design” da estrutura da história, eu já havia determinado quando e o que de cada personagem seria revelado (neste livro, apenas a ponta do iceberg é mostrada). No entanto, talvez devido à decisão de escrever primeiro sobre um dos grupos e só então voltar ao outro, estou achando que alguns personagens estão recebendo menos atenção que outros. Imagino que isso se deve principalmente ao fato de que um dos grupos possui quatro membros e o outro apenas dois (que, aliás, gostam bastante de discutir, o que torna a coisa mais fácil). Ainda não sei o que farei para equilibrar as coisas e, no momento, tenho algumas dúvidas sobre se irei mudar a quantidade de informação que é liberada. Talvez eu tenha um longo trabalho de revisão, no fim das contas.

Sobre a questão do cenário, tenho certas dúvidas sobre se ele está sendo bem apresentado ou não. O livro não lida com garotos saindo de vilarejos pequenos e afastados e descobrindo o mundo das grandes cidades e das maravilhas de sua nação. Os personagens são adultos e, em geral, conhecem bastante do meio em que vivem, portanto, não posso mostrar as coisas pelos olhos deles, sem contar que eles não viajam por aí pra destruir algum artefato maligno. Na verdade, tem UM personagem que tem características um pouco semelhantes às que eu mencionei… Mas ele não faz exatamente parte dos principais, embora esteja com eles. Não posso colocar uma narrativa muito próxima desse personagem, inclusive por questões de plot e estilo.

Voltando à parte da escrita em si, essas duas semanas foram bem tranquilas. Na semana sete escrevi todos os dias da semana, o que trouxe vinte e oito páginas de caderno e na semana oito, mesmo tendo viajado na quinta e sexta-feira, trabalhei para passar o máximo que pude para o caderno. Em geral, verifiquei o que havia comentado em outros posts: as coisas que escrevo primeiro no caderno ficam maiores.

O capítulo em que estou trabalhando no momento é o 15. Comecei ele esse mês e ainda não consegui terminar, imagino que ele se torne o maior até agora (creio que chegue às 10.000 palavras quando tiver terminado). Em geral, é um capítulo de que estou gostando muito, porque tem discussão, intriga, conversa sobre política, novos coadjuvantes, um mistério, luta, tensão e uma amostra que gostei muito sobre o funcionamento das bestas (crossbow) de Darai. Estava muito preocupado sobre se iria conseguir passar a idéia de que são mais modernas que bestas medievais e que funcionam como as “armas de fogo” daquele mundo. Mas acho que consegui fazer isso, usando “imagens” que parecem mais apropriadas a pistolas ou escopetas, e ainda assim condizentes com o funcionamento das bestas encontradas em Rehquia.

Esse capítulo também foi uma amostra de como mesmo tendo tudo planejado ainda existe espaço para criação depois de começar a escrever (embora, diferente do que algumas pessoas dizem, planejar não tolha a criatividade, já que o “design” da história não surge por telepatia). Um dos personagens, um criminoso, algo meio que mafioso, que é um dos jogadores “médios” no crime local, teve sua personalidade completamente modificada. Antes ele era covarde e assustadiço, muito facilmente intimidado. Uma figura um pouco ridícula, na verdade. Depois de finalmente escrevê-lo, ele passou a ser astuto, inteligente, sagaz, uma figura um pouco ridícula e assustadiça. Com adjetivos talvez não tenha mudado muito, mas se antes ele era alguém cômico, agora tem certa altivez e, paradoxalmente, impõe certo respeito. Se assusta facilmente, mas é calculista demais pra que isso influencie nos seus lucros. Eu gostei de como o personagem saiu.

O mês de volta ao caderno se mostrou produtivo. Tenho um pouco de trabalho adicional e, em geral, preciso me esforçar uns 20% mais para conseguir o mesmo rendimento em quantidade, mas acho que a qualidade compensa e uma desculpa para trabalhar mais é sempre boa. Continuarei com o mesmo padrão nas semanas seguintes e tentarei um mínimo de 10.000 palavras nas próximas quatro semanas.

(post sobre o período de 10 a 21 de setembro)

Total de palavras no período: 6528

Total de palavras no “mês” (estou contanto um mês a cada 4 semanas): 9449

Paginas do caderno: 121

Total de palavras no livro: 50.028

Renan Barcellos, que tinha um copo de coca com gelo vazio

E fazia mais um brinde aos amigos ausentes

(e porque não aos amores perdidos e aos deuses antigos e à estação das brumas)

Anúncios

3 comentários sobre “Projeto A – Semanas 7 e 8 – As 50.000 palavras e 25% de conclusão.

  1. Foca, sua letra é feia bagarai. Sinceramente não imaginava que você escrevia em um caderno espiral e sim no caderno brochura (sei lá pq). E que sua jornada continue com ou sem brindes e que seu gelo vire gelo seco pra sair fumacinha.

    • Eu não usei ironia sobre a beleza da minha letra a toa xD
      Eu normalmente escrevo em folha de fichário, para ir destacando, organizando e etc. Mas como as paginas do livro não cabiam no fichário (que está lotado com as anotações), comprei um caderno, já que iria ficar tudo junto mesmo. Provavelmente precisarei de uns três deles.

  2. Parabéns pelas 50 mil palavras! \o/

    – Podes postar, como um complemento à questão da quantidade de palavras que imaginas que teu livro terá, um comparativo com livros de outros autores? E.g.: quantas palavras tem um exemplar de ASoIaF ou um TLoTR…
    – Fiquei com vontade de entender um pouco mais sobre a questão do plot e do estilo;
    – Que tal conversares com algum amigo ilustrador e nos presentear com uma imagem dessas bestas de Rehquia?
    – Escrever no caderno ftw!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s