História Não Publicada – Capítulo 3 – Parte 1

Para entender melhor este projeto.

Leia o primeiro capítulo.

Capítulo 3

A movimentação que existia lá fora ficou mais clara, a urgência fluiu em Emílio através de sangue e adrenalina. Pegou a sua arma de volta. Dessa vez não ligou para o revólver que o escritor empunhava.

– Caralho, Emílio. Seu tiro atraiu seja lá quem tiver lá fora. Por que diabos você foi atirar? Aqui era tipo uma sala do templo, ou algum lugar assim, seguro e coisa assim.

– Agora a culpa é minha? – um tipo de inquietação diferente cravara suas garras no músico – Cê tentou roubar meu trabuco com algum karatê escroto aí. Eu só queria saber quem cê era.

Olhando para os lado o homem das letras tentou pensar no melhor caminho para sair dali. Mas caralho, o rapaz não parava de falar, dizia algo sobre sei lá o que. O escritor então verificou sua arma. Não queria ser pego com aquela porra sem estar funcionando direito. Começou a andar, mas então abriu a mochila e rabiscou qualquer coisa em uma folha vazia. Percebeu que não havia numerado as ultimas milhões de paginas e resmungou algo ininteligível consigo mesmo.

– Que que é que cê ta fazendo, mermão?

– Escrevendo – Disse sem olhar para cima.

– Escrevendo?! Como assim escrevendo?!

– Escrevendo, assim, escrevendo. Sabe, papel, lápis, as vezes uma caneta, sem sorte para ter um note em mãos. Sem sorte para ter um café – Falava enquanto o lápis passeava pela folha manchada.

As palavras iam se formando na pagina, anotando tudo o que havia passado desde que entrara no armazém. Claro que não lembrava a porra toda, parágrafos verdadeiros se misturavam com notas, idéias para falas, lembranças e riscos desconexos que escondiam o que estava errado ou o que simplesmente tinha ficado uma tremenda merda. Hell yeah, escrita em tempo real. Ou quase isso.

– Maluco. Filho da puta maluco. Os zumbis ou sei lá o que tão chegando na porra da casa e…

Uma batida em alguma porta ao longe interrompeu o discurso do músico.

– Aí ó, ta vendo, e cê escrev…

– Caralho, to escrevendo, já falei. – olhou pra cima, irritado e não parou de escrever – Você não é um músico? Então sei lá, senta aí e faz umas porras de umas rimas ou sei lá o que. Vai fazer algum funk escroto ou algo assim.

– Eu não faço porra nenhuma de funk do caralho. E, os zumbis…

– Não são zumbis, em primeiro lugar. E em segundo, eu já acabei.

Levantou e olhou para o vazio, tentando escutar os ruídos que vinham do outro lado da construção.

– E isso também não é uma casa. É um armazém.

– Sim, sim, e de quê…

O escritor não ouviu o que o músico, estava dizendo. Começou a jogar caixas ao chão e a, furiosamente, abrir suas abas, checando o conteúdo. Salgadinhos e suco engarrafado logo foram revelados á meia luz do lugar.

– Aqui ó, pega sua mochila e enche dessas merdas aqui. Se você não tivesse saído atirando por tudo quanto é lado daria para se preparar melhor. Mas não, em vez de pensar um pouco na que esta acontecendo, tem que ir lá e fazer uma bagunça do caralho. – diminuiu a voz e resmungou para si mesmo – Clichê do caralho, personagens só se apresentam na base da porrada.

– Eu não tenho uma mochila, e que porra é essa de personagem, seu maluco?!

– Foda-se Emílio. Foda-se! – Disse se lembrando de um personagem de uma outra história – A primeira coisa que se faz quando uma merda assim acontece é pegar uma porra de uma mochila. E umas botas, seus allstars fodidos só vão fazer você se foder.

Renan Barcellos, que bebia suco de acerola

e que sabia que já era tarde demais

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