História Não Publicada – Capítulo 3 – Parte 2

Para entender melhor este projeto.

Leia o primeiro capítulo.

– Foda-se Emílio. Foda-se! – Disse na primeira parte do capítulo três em resposta à Emílio, que tentava contestar sua sanidade. Se lembrou de um personagem de uma outra história – A primeira coisa que se faz quando uma merda assim acontece é pegar uma porra de uma mochila. E umas botas, seus allstars fodidos só vão fazer você se foder.

Pegou alguns pacotes de salgados e duas garrafas de 500ml de suco industrializado, jogou tudo na mochila e a colocou de volta ao ombro. Emílio andava de um lado ao outro, aflito. Poderia sair dali sozinho a hora que quisesse, mas não parecia disposto a abandonar a única companhia que achara naquele dia de merda.

– Bora, bora, esta esperando o que, Músico?

– Tava esperando cê terminar de fazer essas merda aí, disgraça.

– Olha aqui, eu já…

Não pode terminar o que dizia, pois um silvo interrompeu a discussão. A dupla olhou para o outro lado da sala e viu dois dos moradores da cidade olhando para eles. Fúria nos olhos e nada mais. Carregavam facas de cozinha. Começaram a correr em direção aos dois.

– Caralho…

O escritor chutou uma das estantes. Contudo, ela não caiu, tampouco se mexeu. parecia estar pregada ao chão para evitar acidentes que comprometessem a mercadoria.

– Caralho! – gritou ao sentir a dor e ver frustrado o seu intento.

– Corre porra, corre.

Correram. O escritor derrubando coisas ao chão conforme passava, esperando que servissem pra atrasar os dois filhos da puta que iam atrás deles. Vislumbrou um gorila atirando barris num encanador e sorriu. Funcionou, um deles tropeçou, caiu ao chão e não conseguiu levantar por um tempo. Seja lá o que tivesse acontecido com a maioria das pessoas da cidade, não conseguiu deixá-las mais espertas.

Passaram por uma porta lateral, uma que não parecia em nada com a que dera entrada para os inimigos que corriam atrás deles. O escritor deve ter pensado que dali para fora do armazem seria um pulo. Mas porra nenhuma, acabou que todos os outros sete enlouquecidos que se amontoavam para dentro do lugar, foram por outro caminho, o que agora a dupla dinâmica tomava. Bom, pelo menos não acabaram cercados, como dois super-heróis que não reconhecem uma porra de uma armadilha.

– Fudeu! – Exclamou Emílio quando viu o novo desafio.

– Por aqui! Eu sei de um caminho.

O escritor colocou a mão no ombro dele e deslizou os pés, se virando para outro caminho. Não fazia ideia do que encontraria por lá, é verdade, mas não achou uma boa ideia contar isso para seu intrépido companheiro de infortúnio. E, além disso, saída para a esquerda sempre parecia um caminho comum tomado pelos que são surpreendidos. Ficaria mais tranquilo se sua maior referencia sobre este curso de ação não fosse Scooby-doo, mas não dava pra ser exigente naquele momento.

Uma história sobre correria, tiros e safehouses invadidas. Porra, talvez o garoto estivesse certo e aquelas merdas fossem zumbis. Mas essa não tinha o tom de uma história de zumbi de qualquer forma.

Continuou correndo, o casaco marrom que usava esvoaçando para trás. Por um segundo pensou que isso era ruim. Uma desvantagem, poderia ser agarrado e puxado para trás por causa de suas vestes. Mas por outro, fazia um frio do caralho lá fora. Nunca imaginou que uma cidade da Bahia pudesse ser tão fria assim. Tudo bem que sentia frio nas noites de salvador, mas aquilo ali já era demais. “Se vier esse frio que você ta esperando…”, lhe diziam. Queria ver que se iam ficar falando alguma coisa naquela cidade. Mas o que importava no momento era que continuava correndo. E lá atrás os perseguidores seguiam dizendo coisas desconexas.

Passaram por um corredor cheio de caixas de madeira. A maioria parecia estar vazia, mas isso não era importante, de qualquer forma. Não poderiam usar para nada. No fim do caminho havia uma porta fechada, se perguntou se aquela merda estaria trancada, mas logo parou de se perguntar. É obvio que estava. Pararam de correr. Os oito que vinham atrás deles não.

Renan Barcellos, que tava sem café

e que sabia até os possíveis erros nessa musica

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