História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 3

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Uma das referências da vez foi o Lúcifer da Vertigo, de Sandman.

– O principal de um zumbi – o escritor começou a dizer para Emílio na semana passada – é a questão da transmissão de sua doença, vírus ou qualquer magia negra sobrenatural do capeta que tenha feito ele levantar do chão, não do caixão, porque eles não tem como abrir o caixão com sete palmos de terra em cima, não acredite nessas merdas. Contudo, as pessoas que nos atacaram não estão tentando nos morder, capturar para levar para algum lugar macabro ou tentar transmitir qualquer coisa que seja para nós. A não ser que de alguma forma eles saibam que seja lá o que deixou eles neste estado pode passar para a gente, mas isso seria um tanto quanto improvável. Sem contar também que uma transmissão clássica de virus zumbi não acontece assim de uma hora pra outra em todo mundo. Isso é o ponto principal eu acho. Todo mundo parece ter sido afetado ao mesmo tempo, todo mundo mesmo. Acho que vi umas quatro pessoas mortas por aí, mas tirando elas, todo mundo foi afetado e partiu para cima de mim assim que identificaram que eu não estava com ele. Isso não é coisa de zumbi. A não ser que estejamos falando de zumbi voodoo, mas eu prefiro falar, aí teríamos um ritual voodoo dos grossos pra gente encarar, que afetou todo mundo de vez. Prefiro falar de zumbis comumente usados na cultura pop.

Não soube dizer quanto tempo ficou sem falar depois disso. Apenas divagando. Lembrando do guia, dos jogos. Não lembrava de nenhum romance espetacularmente bom, apesar do quão recorrente eram zumbis, mas não queria uma história com os mortos-vivos. Ou apenas vivos, infectados. Bom, não tinham romances interessantes, mas tinha uma Hq muito boa. Seriado não tão bom contudo. E não, zumbis se apaixonando não eram romances dignos.

Em algum momento o garoto falou novamente. Quebrando a cadeia de ideias. A cadeia de lembranças.

– Mas então, zumbis ou não?

Três segundos terminando de pensar em Zomboid e então conseguiu achar o foco para responder.

– Não, não. Zumbis não. – Suspirou , cansado, a escrita, mais do que a correria, parecia ter retirado suas energias. Parara de escrever. – Como eu falei, as pessoas simplesmente começaram a agir assim do nada. Talvez algum tipo de vírus transmitido pelo ar, semelhante á extermínio, só que mais escroto, que afetou todo mundo de vez, mas acho que isso não é muito provável.

– Então o que?

Parou alguns instantes. Pensativo.

– Possuídos. Acho que essa pode ser a melhor definição que consigo pensar no momento. Pessoas possuídas em geral tem muitos dos comportamentos atribuídos a zumbis, no entanto, não carregam a parte da transmissão de suas aflições e seu objetivo geralmente é apenas matar. Ou sacanear com alguma coisa.

– Possuídos pelo o que? Pelo diabo?!

– Não sei, garoto… Não sei… Por algo com certeza. Mas não acho que seja o Diabo cristão. Lucifer Morningstar ou whatever. Não reze demais, ou então eles podem vir te pegar.

O escritor se levantou e deixou Emílio sozinho com suas ponderações. Era um pouco cruel deixar o garoto sozinho daquela forma à mercê de pensamentos sem base e possibilidades aterradoras. Mas sentia que precisava de um tempo só. De olhar para sua alma, conversar com seu verdadeiro eu. Os ombros arqueados marcaram seus passos até a porta de um pequeno banheiro que havia no lugar.

Era um cômodo arrumado. Estava limpo e, felizmente, podia ter sua luz ligada, pois não possuía janela alguma que pudesse denunciar sua posição devido a qualquer luz que emanasse dali. Lembrou que não havia tocado no salgadinho. Mas também não estava com fome, deixou essas considerações para recantos escondidos de sua mente e se concentrou em lavar o rosto.

A barba estava espessa. O cabelo maior do que a muito tempo não deixava ficar. Tirou uma mexa que teimava em incomodar os olhos, por pouco não ultrapassando a altura destes e riu. Um riso estranho, descontrolado. Um clichê, pensava ele. Um muito utilizado. Um que usara em sua primeira história. Apresentar o personagem quando este olha para uma superfície reflexiva. Coisa de amador, mas usara, um dia. Qual era mesmo o nome do personagem? Mal se lembrava. Na verdade, sim, lembrava. Tão fresco na memória quanto qualquer coisa que tivesse feito segundos atrás. Mas não, não queria se lembrar do personagem de nome japonês. Não queria desenterrar o passado.

Renan Barcellos, Que havia bebido doses moderadas de coca-cola

e que sentia Tony Hawks 2 feelings de novo

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