História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 5

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

 

Commala come Ka. Porque referencias à Torre Negra e ao Ka-tet de Roland nunca são o bastante.

– Tudo isso foi sua culpa, no final. O que eu fiz apenas seguiu seus torpes esquemas. Mas se é para eu estar dentro de uma história, se você fez com que eu chegasse até, vou chegar até o final… Hugin. – disse o Escritor algumas semanas atrás, citando alguém que jamais seria visto nesta história.

Rugiu em um tom rasgado e que foi ouvido apenas para ele. Antes de se virar e sair do banheiro, teve a impressão de que sua imagem no espelho mudara o seu semblante. Que sorrira em franco desafio. Mas, como sempre, não passara de uma impressão. Ou talvez, no fundo, um desejo.

– Maldita boa memória. – Disse quando chegou até a sala principal do pequeno galpão. Não via Emílio, obra da escuridão que os protegia, mas ele atacava um dos pacotes de Cheetos.

– O que?

– Nada. Nada. Apenas reminiscências de uma história antiga. De uma história que nunca aconteceu. E que não fará parte desta.

Não viu o que o músico fez, mas teve certeza de que ele levantou os ombros.

Silêncio caiu novamente na sala. Agora, ao menos, o clima não era tenso qual uma reunião de conselheiros de reino com quatro reis. Foi quebrado pelo Escritor. Ele tinha que fazer isso pelo menos uma vez.

– Ei, Músico, que tipo de música vocês tocam? – Pensou em dizer tocavam, mas não pareceu uma boa ideia.

– Nós tocamos o que vier. Hip Hop, Rap. Até mesmo uns rocks pauleiras de vez em quando.

– Tenho certeza que não. Mas continue.

– Bom, é isso. Eu canto, algumas músicas, mas Brodinho normalmente toca o resto. Ele fez canto ou alguma coisa assim. Insiste que tenha bateria e guitarra em todas as músicas. Eu acho que fica uma merda, mas ele diz que lembra uma banda das antiga, Linkin Park ou algo assim. Já ouvi, é legalzinha.

– É legal sim. Mas essa porra não é das antigas nem fodendo. Porra nenhuma.

Algo no timbre da voz do garoto mostrava que ele não estava tão tranquilo quanto parecia. Tinha Passado por muitas coisas no dia anterior. Coisas ruins. Situações que o proprio escritor não tivera que encarar, mas parecia estar levando relativamente bem. Pelo menos, [b]queria[/b] levar a coisa bem. Talvez já tivesse perdido a cabeça caso ainda se encontrasse sozinho, mas O Escritor não gostava de pensar que tudo de bom que viera daquilo lhe era devido, aliás, gostava sim de pensar, mas sabia que não era o caso.

Algo que lembrava um sorriso apareceu em seus lábios. Se Emílio estava em sua party, pelo menos iria tentar cuidar do garoto e não sacrificá-lo como um cordeiro quando a hora chegasse… Pelo menos era o que pensava naquele instante, mas, suplantado por tal ideia, a certeza de que iria usa-lo tal qual um peão, quando a hora chegasse, passeava pela sua consciência.

Conversaria com ele. Entenderia ele. Protagonistas precisam de coadjuvantes e coadjuvantes precisam de profundidade.

– Mas então, o que você escreveu de música? fala aí alguma de suas letras.

O escritor percebeu que seu tom não soara convincente o bastante, verdadeiramente interressado. Mas era o que conseguia no momento. no fundo de sua mente, ou em um lugar não tão fundo assim, ria consigo mesmo. Ria de si mesmo. Até ali, onde a morte rondava e cada passo era um mergulho às piores paragens de um inferno, não deixava de fingir, de criar. De ser um personagem numa história.

A diferença era que agora realmente o era.

Emílio, no entanto, não pareceu notar a falta de interesse claramente aparente. Talvez não fosse algo complicado. Cansaço, solidão e medo fazem as pessoas ouvirem o que querem… ou algo completamente oposto ao que gostariam.

No entanto, Emílio carecia de companhia. Talvez de atenção. Ou, pelo menos, era isso o que o escritor imaginou naquele momento. E anotou em seu caderno.

 Renan Barcellos, que bebia café sem açúcar

e que já estava em casa e ouvia uma música que você provavelmente nunca ouviu.

 

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