História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 6

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Uma imagem de Tolkien, pois a alternativa era uma de Yuri

 

Emílio, no entanto, não pareceu notar a falta de interesse claramente aparente. Talvez não fosse algo complicado. Cansaço, solidão e medo fazem as pessoas ouvirem o que querem… ou algo completamente oposto ao que gostariam.

No entanto, Emílio carecia de companhia. Talvez de atenção. Ou, pelo menos, era isso o que o escritor imaginou naquele momento. E anotou em seu caderno.

– Não tenho nenhuma aqui comigo, quer dizer, claro que tenho várias na cabeça. Té umas que nem mostrei pra galera… – pareceu que iria contar algo que guardara para si, mesmo diante de seus amigos, de seus círculos. Pareceu que mostraria um pedaço de sua alma. – Ah, deixa para lá… To afim de pensar em música agora não. Porra, como você pode pensar em música numa hora dessa?

– Eu sou um escritor, você um músico. Eu penso em histórias o tempo todo. O que as vezes envolve pensar em música também. Mas se você é o que diz ser. Um criador de algo, certamente algo seu atravessou sua consciência mesmo nestes momentos em que o perigo é eminente.

Não falava assim normalmente, falava? Como um personagem, como o ator de uma peça? Claro que só estava expondo suas palavras daquela maneira porque, bom, aquela era uma história e deveria se comportar como um protagonista, mas é claro que não falava daquela forma. Olhou para o lado e voltou atrás. Falava sim daquele jeito. E as palavras vinham fáceis. Tipo aquele vilão, ou quase isso, daquela sua história. A medieval. Riu. Tinha desdem no riso. Emílio ouviu, pensou que fosse com ele.

– Porra, sabia que tu ia me sacanear. Porra véi. Pelo menos não to aí escrevendo um monte de merda num caderno.

Pensou rápido. Mentiu. Fingiu.

– Eu não estava rindo de você. Tudo bem, na verdade estava. É que você me lembra eu quando eu tinha sua idade. Cheio de ideias, temeroso do que iria mostrar para os outros… Até fiz umas músicas uma vez. Mas eram uma bosta. Tinha algo que era parecido com algo assim.

“Vão se foderem ele disse

tira esse nome daí,

mas cara deixa de gordice

É for the lulz to nem aí”

Cantou mal, claro, como sempre cantava, com sua voz arranhando num sempre presente nariz congestionado. Traqueia tambem. Imaginava se seria rinite ou alguma merda assim. Mas na verdade não estava pensando nisso. Pensava em como lembrava dessa canção, com só refrão e bridge que fizera anos atrás com alguns amigos. Pura zoação, puro “lulz”, claro. Mas o que realmente passava pela sua mente era sobre se deveria registrar esse momento. Achou que deveria, Tolkien fora sua infancia e se ele podia colocar canções qualquer um podia. A estrada em frente vai seguindo, enquanto a vaca pula para a lua, foi o que veio à mente do homem das letras. Se Yuri reclamasse de seu nome escrito na porra do livro, bom, não tava realmente nem aí.

– Brodinho, que porra é essa? Parece algo que uns cara fizeram no primeiro ano para alguma gincana, trabalho ou coisa assim.

– É a porra da música que eu tenho. Bom, talvez não seja boa, mas certamente era motivo de risadas quando foi escrita. A não ser para o Yuri. De qualquer forma, que tal fazer assim, eu deixo você ler o que estou escrevendo, e você me mostra uma letra sua.

– Que?! Eu não quero ler essa porra doida que cê ta escrevendo aí. Me deixe com minhas músicas, viu?

Seu tom era de divertimento, como se achasse algo engraçado ou particularmente ridículo, mas O Escritor não se incomodou. Na verdade, nem mesmo queria mostrar o que estava escrevendo. Poderia ser… Perigoso.

O escritor ia responder alguma coisa. Uma resposta virtuosa. Uma resposta engraçada. Achou que estava com saudades de ser engraçado.

Antes que pudesse abrir a boca, um baque abriu a porta lateral. Uma pancada, uma única pancada e o inimigo entrara na garagem. Antes fosse a porra de um repórter.

Renan Barcellos, que tinha um resto de suco de pessego

 e que não gosta TANTO de zumbis assim.

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