História Não Publicada – Capítulo 6 – Parte Única

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Um escritor à procura de uma história se vê ele mesmo em um conto de terror, ação e suspense. Sendo a sua profissão, a sua vida, a escrita, não tem muito mais o que fazer além de tentar sobreviver e tentar escrever o que lhe acontece. (esta história foi escrita sem planejamento e pelo wirte or die, o que está aqui é a primeira coisa que veio à cabeça do autor, na tentativa de emular as condições do personagem)

Não tem uma referencia explicita dele, mas creio que a ideia surgiu de Lovecraft.
Não tem uma referencia explicita dele, mas creio que a ideia surgiu de Lovecraft.

Capítulo 6

A luz do amanhecer banhou o chão, trazendo os primeiros raios de um novo dia àquela cidade esquecida não só por Deus, mas por todo filho da puta que já clamou um reino divino. O sol brilha para todos. Frase de algum lugar, veio à mente do escritor.

Com o inicio de um clarear, veio a salvação. Os possuídos estacaram, como robôs perdidos em meio ás ordens humanamente confusas que tinham que seguir, repetiram os movimentos que faziam, como um disco arranhado. Algo como uma peça fora do lugar.

Emílio olhava, apavorado, sem saber o que pensar, sem saber o que fazer.

O escritor se deixou cair, levado pelo cansaço. Os olhos fechando. Pelo menos até ali havia acabado.

Só que não havia acabado.

Abriu um dos olhos, pressentindo que algo estava por vir. Um gosto na língua, algo que lembrava eletricidade, algo que lembrava azul. Alguma coisa estava para acontecer.

A tez do mundo começou a mudar, a trama a se esticar, abrir caminho. Os possuídos pararam. Os braços colados ao corpo. As bocas se abriram ao mesmo tempo, como numa orquestra macabra onde demônios brincam com fantoches.

Não ouve movimento na boca, língua ou lábios. A voz que saíra era algo alienígena, pertencente a um outro mundo, a uma outra dimensão. Talvez o inferno, talvez às vastidões do mundo onírico ou mesmo ao infinito do universo. Era uma voz oca, com eco, uma voz que parecia querer romper o tecido da existência. Feria o real ao evocar uma natureza profana, indigna do mundo corriqueiro.

– Esse foi o primeiro dia. Ao segundo não escaparão. A alma dos Qzee-nui vive em liberdade. Se fortalece com a noite. Cada um de vocês terá seu fim, voltará para o barro e para o pó. O dom do divino não é seu por natureza, sua gente verá seu fim. Primeiro aqui, depois lá. Até… o fim.

A voz desapareceu, como um fiapo de fumaça sumindo ao ar. Se esticando até não mais existir. O timbre, o som. Aquilo enlouquecia, levava para os confins da mente, onde loucura e selvageria habitava a cerne de qualquer ser humano. Emílio tremia. O escritor lutava contra seus instintos mais básicos e vencia, mas era neste momento que perdia. Seu rosto uma mascara ferina, dentes arreganhados, em um rosnar.

Então acabou. O resíduo se desfez, a marca daquele ser que corrompia o e usurpava se afastou.

Os possuídos já não tinham esse titulo. Olharam ao redor, confusos, olharam para a luz do dia e se afastaram, indo cuidar de suas vidas.

O escritor havia acertado: Possessão.

Mas não esperava aquela merda.

Renan Barcellos, que bebia suco de manga

e que ele (e o blog) já estavam aqui por um tempo.

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