História Não Publicada – Capítulo 7 – Parte Um

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Um escritor à procura de uma história se vê ele mesmo em um conto de terror, ação e suspense. Sendo a sua profissão, a sua vida, a escrita, não tem muito mais o que fazer além de tentar sobreviver e tentar escrever o que lhe acontece. (esta história foi escrita sem planejamento e pelo wirte or die, o que está aqui é a primeira coisa que veio à cabeça do autor, na tentativa de emular as condições do personagem)

Eu falei foi do 5, mas Alone in the Dark 4 é melhor.

 

Capítulo 7

O café já tinha esfriado, mas ainda continuava assoprando ele antes de cada uma das vezes que levava a xícara á boca. Estava com sono. Estava cansado. havia dormido por cerca de seis horas, mas não fora o suficiente para descansar. Esperava apenas que à noite estivesse acordado. Era isso que importava.

Pagou pelo café, mas continuou no casebre que fazia vezes de lanchonete. Estava numa área aberta e uma brisa refrescante vinha de onde imaginava ser o norte. Respirou fundo o ar do lugar. O ar montanhoso do lugar, pensava em dizer. Mas não sabia se aquilo era realmente um lugar montanhoso.

Rabiscou mais alguma coisa em seu caderno e deixou a caneta de lado. A xicara foi pousada na pagina em que trabalhava sem motivo aparente, um sorriso que não era tão amargo se formando com a visão daquele semi-círculo deixado pelo café que escorrera pela borda do recipiente segundos atrás. Trabalhava na história. A história que escrevia, a história que vivera.

Uma garçonete passou ao seu lado e perguntou se desejava mais alguma coisa. Conteve o reflexo que veio com o súbito aproximar. A jovem percebeu o movimento contido e se afastou, um pouco assustada. O escritor olhou ao redor. O lugar não estava cheio. Mas tinha pessoas, em sua maioria turistas, muitos alguns locais sentados em mesas ou trabalhando, movendo-se de um lado para o outro. Tudo parecia normal. Tudo parecia normal.

A loucura da noite anterior. Teria mesmo acontecido? Se perguntava algumas vezes. Por alguns momentos inquietantes se perguntava se teria realmente passado por tudo aquilo que escrevia e anotava em seu caderno. Talvez finalmente tivesse ficado louco, ou, pelo menos, tão louco quanto se era possível. Afinal, desde que fizera da escrita a sua principal atividade, sentia mais e mais perder o contato com a realidade, desfocar-se do terreno. Afogar-se em um cotidiano vazio e sem sentido que o atormentava. Não que isso tenha advindo do ato de escrever, de criar. Viera da própria vida e de suas intempéries.

Largou a caneta nanquim recarregável e parou de escrever. Não devia ter continuado a escrever desde que pusera a caneta em repouso pela primeira vez, segundos atrás. Entrara naquele estado contemplativo e confuso o qual só conseguia extrair pedaços de seu próprio passado, de seus próprios fracassos.

Levantou-se da mesa e pagou pelo café.

Saiu andando a esmo. O relógio da praça lhe dizia que eram três horas da tarde. Ainda tinha uma hora até se encontrar com Emílio. Outras três até a correria começar novamente.

Emílio. O garoto.

Era a única coisa que o fazia ter certeza de que tudo aquilo não fora loucura. Afinal, era complicado imaginar toda uma pessoa para reforçar seus delírios de história. Mas não era ele um escritor? Era isso o que fazia. O garoto podia ser fruto de sua mente, como tantos outros personagens. O segundo revolver podia ter sido encontrado em algum lugar, e só então explicado pela presença de um segundo personagem. Ou então nada daquilo tinha de fato haver com criações de sua mente. Ou talvez, não só disso. Gaslighting? Era o nome que davam para aquilo de fazer com que alguém tinha imaginado tudo, duvidar da própria memória ou algo assim? Não sabia dizer, achara isso por acaso enquanto procurava por lâmpadas à gás na internet. Quando ainda usava computadores. E, de qualquer forma, isso não fazia nem sentido. Se sentia como Edward Carnby em Alone in the Dark 5. Não sabia porque, mas ponderou se, assim como ele, não havia de alguma forma perdido a  memória. Mas o que havia perdido? Tudo ainda estava lá. Todo o passado, todo o presente, tudo o que escrevera.

Ficou vontade de catar um cigarro em algum lugar e então fumar, no sossego de suas próprias idéias. Mas isso era idiota, ele não fumava.

Renan Barcellos, que bebia uma mistura de café, leite, canela e mel

e que não fazia a mínima ideia de onde iria quando as bombas começassem a cair.

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