História Não Publicada – Capítulo 7 – Parte Dois

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Um escritor à procura de uma história se vê ele mesmo em um conto de terror, ação e suspense. Sendo a sua profissão, a sua vida, a escrita, não tem muito mais o que fazer além de tentar sobreviver e tentar escrever o que lhe acontece. (esta história foi escrita sem planejamento e pelo wirte or die, o que está aqui é a primeira coisa que veio à cabeça do autor, na tentativa de emular as condições do personagem)

Na verdade a referencia é mais a um personagem meu, de um conto bem antigo, mas essa imagem vai ter que servir.

Depois de se sentir parecido com Edward Carnby, o escritor ficou vontade de catar um cigarro em algum lugar e então fumar, no sossego de suas próprias idéias. Mas isso era idiota, ele não fumava.

Foi andando pela praça, observando os canteiros, as cercas de metal, pintadas recentemente de preto. Tentou extrair dali algum significado. Mas tudo o que percebia eram suas pálpebras pesadas, seus olhos cansados lhe mostrando uma trêmula visão.

Olhou ao redor, como se tentasse entender aonde se encontrava. Mas sabia onde era, no fim das contas. Era uma cidade pequena, no interior da Bahia. Não sabia direito quantos habitantes tinha. Devia ter pesquisado isso, ou alguma coisa desse tipo. Mas a cidade não era muito menor que Feira de Santana. E fazia frio. Bastante frio. Mesmo pela manhã era comum ver algumas pessoas usando agasalho. Ele mesmo usava, um casaco marrom, cheio de bolsos, como gostava. Usava ele tambem em salvador, mesmo não sentindo tão frio quanto onde se encontrava.

Viu um casal que corria pela praça. Cooper ou alguma coisa assim. De alguma forma aquilo lhe fez lembrar uma cidade norte-americana, ou então algo do sul. Certamente não na bahia. Não na bahia.

O lugar era pacífico. Tinha uma arquitetura antiga e agradável, onde mesmo as construções modernas pareciam se encaixar sem criar uma distopia visual de que não gostava. Era um lugar agradável. O tipo de cidade perfeita para que uma história como a que estava acontecesse.

O escritor problemático que vai para uma cidade pequena, do interior de algum lugar. Tantas vezes não vira algo parecido? Não fora ele para lá justamente por causa desse clichê? É, viajara até ali por causa que é o que normalmente escritores com algum tipo de problema, com alguma coisa em suas costas fazem. Pelo menos nos livros.

A mão foi ao rosto, limpando o suor que não havia ali. Sentou em um banco e suspirou. Não sabia se tinha ido até Monte Verde porque estava atrás de escrever uma história ou se, no fundo, queria estar em uma história. Talvez procurasse algo novo. Uma mudança em sua vida, algo que agitasse sua parada existência.  O sorriso que lambeu-lhe a face, alterando seu rosto foi algo que chegava às raias da loucura. Não sabia como seus olhos estavam, mas se lembrou de uma imagem. Uma imagem do coringa, de quem mais? Roupa de um coringa, sorriso de O Coringa. O escritor não se lembrava de onde era essa frase. Achava que era sua, mas não tinha tanta certeza. Não sabia se ela existia de verdade ou se toda a lembrança de digitá-la fora criada agora.

Queria mais café, mas não saiu de onde estava.

Olhava para o céu, para o além. Para o sol que se afastava cada vez mais e trazia a promessa da noite. Uma noite pior que a outra.

Parecia alheio à tudo, perdido em seus próprios pensamentos. Estava. Mas ouviu quando duas senhoras que passavam comentaram sobre a pousada que se incendiara. Um vazamento de gás que fizera o lugar irromper em chamas e tirar a vida tanto do dono do lugar, quanto da mulher do padeiro que, sem ter um bom motivo, estava no lugar.

O escritor sorriu, ainda olhando para um horizonte que nunca alcançaria. Era engraçado como as pessoas ficavam normais com o amanhecer. Como voltavam para suas casas e continuavam seus afazeres como se nada tivesse acontecido. Criando histórias e inventando desculpas para que as coisas que destoavam com o normal tivessem seu lugar na vida diurna. Chegavam até a esquecer detalhes, como, por exemplo, que três pessoas haviam morrido na pousada.

A linha de pensamento se quebrou e o sorriso morreu. Por algum motivo se lembrou de que não havia perdido nada no incêndio. Tudo o que trouxera carregava na mochila em suas costas. Duas mudas de roupa. Dois cadernos. Canetas. Isso parecia importante de alguma forma.

Agradeceu que tudo ficava normal com o amanhecer. Mas o relógio marcava quatro horas. Emílio já estava vindo e a noite se aproximava. Procurou alguma referencia para ocupar sua mente e suas paginas, mas nenhuma veio.

Renan Barcellos, que tinha quase todo o café do mundo 

e que precisava sacrificar umas cabras também.

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