Meu problema com nomes no projeto SteamlessPunkless

Existe um problema com nomes no projeto SteamlessPunkless (que a partir de agora passarei a me referir mais como A Gema dos Meahdirr). E antes que certo indivíduo bovino, que saberá que está sendo citado, não se trata dos nomes APARENTEMENTE – deixo claro u_u – sejam difíceis de se pronunciar. Ou pelo menos não exatamente.

Quando eu comecei a escrever as primeiras coisas que viriam a fazer parte do mundo de Cmyvllaeth, onde A Gema dos Meahdirr estará ambientado, eu não sabia ainda que eu iria querer uma fantasia que não fosse medieval. E para falar a verdade, eu não tinha lá tanta experiência literária para pensar em coisas menores como nomes. Então, fiz basicamente o que todo iniciante na fantasia deve fazer quando se trata de fantasia medieval. Nomeei as coisas baseando-me em livros de fantasia medieval que eu conhecia.

Acontece os nomes em tais obras eram basicamente de origem inglesa, celta, escandinava – européia em geral – ou eram criações baseadas em línguas fictícias que embora não estivessem ligadas per se a nenhuma língua, foram feitos tendo em mente leitores de língua inglesa.

Esse é o padrão dos nomes na literatura de fantasia medieval. Senhor dos Anéis é assim, Brumas de Avalon é assim, infinitos livros de RPG são assim. Então é mais do que normal que alguém que está iniciando no gênero siga essa formula de forma um tanto quanto irrefletida.

Quando eu decidi que o mundo de Cmyvllaeth seria algo vitoriano, ele passou por um período em que eu pensava nele como algo medieval. E os nomes que fui criando derivam disto que mencionei. Cmyvllaeth é um exemplo, Arthane Gallahan, Taháin, Tahullsvarn, Belkarrar e outros nomes também são.

Partindo disso, o cenário e o livro foram amadurecendo, continuei com o padrão, me baseando principalmente em línguas das ilhas britânicas.

Só que além de usar essas línguas como inspiração, eu queria criar um padrão lingüístico diferente. Tinha em mente a vontade de criar algo com uma estética exótica mas que não soasse como inglês ou como línguas em que me baseei. Criei algumas regrinhas de fonética e me baseei nelas para criar alguns nomes. Ou para adaptar nomes que me vinham à cabeça ou que eu criava. Lorick, Rahne, Kesdryth, Meahdirr, Santhem e alguns outros nomes surgiram dessa forma. Os que eu já havia criado foram adaptados a pronúncia para terem a estética que eu queria e ainda soassem legais.

Acontece que, apesar de terem nomes que a primeira vista parecem algo inglês, eles não são pronunciados dessa forma, mas sim de forma mais ou menos latina. Dentro da ambientação, Lorick seria pronunciado como Loríque. Enquanto Rahne seria Râni, ao invés de “rain” como é pronunciado em inglês. E Kesdryth fica ainda mais estranho, já que ao invés de um som de ‘f’, no fim, o sufixo ‘th’ tornaria a última sílaba tônica, fazendo com que o nome se pronunciasse Kesdrí.

Pode parecer estranho, mas esse tipo de “regras lingüísticas” para nomes de personagens, lugares e etc não é algo tão difícil de se encontrar no campo da fantasia. O problema é que eu fiz isso de uma forma um tanto quanto estranha. Se parece com algo que viria da grã-bretanha, mas no fim se fala mais ou menos como português, se aplicando regras fictícias de como tratar nomes que estão escritos sobre regras que já existem. É, complicado. Mal feito, eu diria.

Com o tempo eu fui me incomodando com isso. Era trabalhoso, acaba gerando nomes estranhos demais.  E embora no fim não sejam muito complicados de se pronunciar, a pronuncia pode ficar tão díspar da aparência que sequer faz sentido (for god’s sake, Cmyvllaeth se pronuncia Mivlaé).

Esse foi um dos motivos de eu querer mudar a zorra toda.

O outro é…

Porque me basear na lingua inglesa?

Eu não sou exatamente nenhum nacionalista defensor do português. Mas, tipo, porque diabos a língua inglesa? Se eu não vou criar uma do zero, porque diabos usar algo tão díspar da língua que convivemos diariamente? Originalmente eu tinha a desculpa de que a coisa toda era baseada na Era Vitoriana, mas eu nem mesmo estava mais usando as regras do inglês. Então porque me basear na língua inglesa?

Basicamente, isso me motivou a usar algo mais próximo do português. PRÓXIMO, eu disse PRÓXIMO. Quem não gosta de estrangeirismo que me perdoe, mas eu me sentiria estranho em escrever sobre um mundo fantástico e diferente e usar nomes como João, Manuel, Pedro e etc. 

Portanto, a resposta que encontrei no momento é me basear em línguas derivadas do Latim e criar nomes que sejam relativamente fáceis de se pronunciar e identificar por um brasileiro, mas que ainda assim pareçam exóticos em sua escrita. A idéia no momento é me basear e extrapolar nomes vindos de línguas como francês e romeno, com algumas adaptações esloveno e croata (Matija, ou Matía/Matiá como é pronunciado, não é tão ruim), talvez versões afrancesadas (ou aportuguesadas) de nomes russos (no nosso alfabeto nomes como Piotr não são absolutamente estranhos e escritos e pronunciados como Pioter ficam exóticos e fáceis de se falar). Posso até chegar a usar nomes um pouco japoneses, afinal a pronuncia e construção é muito parecida com coisas em português.

Quanto aos nomes que eu já havia criado, procurarei adaptá-los para uma forma mais fácil de ler, que possa ser pronunciada da forma que eu pretendia para eles mas que a grafia pareça exótica. Neste caso, Lorick se tornaria Loriq, Rahne, Rânne ou Râne, Santhem passaria a ser Santem e Kesdryth Kesdrí.

Pra eu que sou chato, essa parte de nomes é algo bem complicado. Porque eu tenho que equilibrar a estética com a pronúncia e também criar nomes que pareçam pertencer à mesma língua, que sigam um mesmo padrão. E o pior é que isso precisa estar bem definido se eu for publicar algo que se passe nesse mundo, porque depois de publicar fica estranho mudar algumas coisas e Kesdrí nunca que parecerá saído da mesma língua que Cmyvllaeth ou Tahulsvarn.

Renan Barcellos, que tinha um suco de manga

e que no momento preferia manga mesmo, não beber sangue de alguem.

 

 

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