Saldo de Setembro e Outubro

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Mais dois meses passaram sem eu fazer muita coisa nesse blog.  As vezes isso me chateia, afinal de contas, eu deveria estar dando uma manutenção mais regular nele. Outras vezes, eu aceito que esse espaço sobre o que eu escrevo não tem tanta importância quanto o que eu, de fato, escrevo. É engraçado que quanto mais se faz cosias, menos tempo tem para se registrar que fez elas. Mas esse registro de nada importa, a própria existência do que foi feito já lhe serve de registro. Ou pelo menos é assim que deveria funcionar, eu acho.

Eu todo caso, apesar dessas elucubrações sem sentido, eu não fiz muita coisa. Ou pelo menos não fiz muita coisa da forma como eu queria. Eu até consigo dar algumas explicações bem plausíveis pela minha falta de produção literária ou produção… Crítica? Não sei se essa expressão faz sentido, mas me refiro à escrita de resenhas e afins. Contudo, mesmo que eu consiga justificar essa falta de progresso em coisas que me importam, isso não muda o fato que essa falta de progresso continuará a existir até que eu consiga mudar esse cenário.

E realmente me mata não estar conseguindo fazer muita coisa no campo da literatura. De todas as coisas que compõe a minha identidade pessoal, a forma como eu me enxergo, eu diria que minha auto-percepção como escritor é a mais importante. Minha vida literalmente não faria sentido sem a escrita, pois muito do que escolho e penso é voltado para me melhorar enquanto escritor. Creio que seria uma estratégia bastante válida se eu estivesse… bem… escrevendo.

Não é como se eu NÃO estivesse escrevendo. Eu só não estou muito contente com a quantidade.

Veja bem, em setembro eu ainda estava ocupado praticamente chefiando um projeto de tradução de um livro de RPG, coisa que caiu no meu colo literalmente do nada. Como eu me interesso pela área de tradução, aceitei a responsabilidade e, mesmo que não fosse me trazer muito (principalmente dinheiro), achei que seria válido como uma experiência para eu entender como as coisas funcionariam.

Em outubro, viajei. Uma viagem não muito longa, duas semanas. Até levei o meu caderno para viagem, mas acabei não escrevendo nada nele. E, diferente da minha viagem para Rio de Janeiro uns anos atrás, não tive ideia nenhuma enquanto estava lá. O que é um alívio, não quero ter boas ideias no momento. Gosto das que já tenho até agora. Deixa eu completar algumas para ter mais.

O problema é que essas “ocupações” não eram coisas que me deixaram sem tempo os dois meses inteiros, mas ainda assim, me impediam de fazer outras coisas com regularidade. Digamos que eu tinha que fazer bastante coisa da tradução quatro dias da semana, e o quinto eu não teria nada. Em vez de nesse quinto eu escrever, ou ler (coisa que também fiz muito pouco), eu não fazia nenhum dos dois. Simplesmente não consigo, sabe? Tem lá, duas horas sem nada, talvez uma aula que ia ter e não teve. Eu não consigo usar esse tempo de forma útil.

Acho que eu tenho um palpite de porque isso acontece. Ao longo dos anos, buscando formas de passar a escrever mais. Ou melhor, garantir que eu iria escrever, eu encontrei no planejamento e na rotina boas ferramentas para me ajudar. No entanto, esse meu metodismo acabou me tornando incapaz de aproveitar períodos ociosos não planejados. Ou períodos ociosos que não estão dentro de um estrutura temporal bem estabelecida. Isso chega ao cúmulo de segunda-feira ser um feriado e eu pensar em não fazer nada o resto da semana, já que segunda eu não iria estar dentro da minha rotina.

Uma questão de micro e macro talvez? Não faço ideia. Mas sei que é difícil para mim respirar fundo, sentar e começar o que eu preciso fazer. Uma vez que comecei, a coisa flui com mais facilidade.

Eu tenho alguns recursos para me recordar do que preciso fazer nesses momentos em que o planejamento não atinge. Tenho um caderno no qual escrevo as coisas que deveria ter feito no dia anterior (ou que preciso fazer no atual) e post-its no desktop do meu computador dizendo coisas que preciso ou devo fazer em determinados dias da semana.

O problema é que ainda não pensei em nada que me lembre a usar as coisas que deveriam servir para me lembrar o que eu tenho que fazer. Os post-its estão lá, sempre na minha cara, mas parar para olhar para eles é algo que eu não criei o hábito.

Findo o projeto de tradução do Monstronomicon e a viagem, com o começo de Novembro (porque, obviamente não consegui aproveitar Outubro), voltei a escrever direito, a ler com regularidade e comecei outra tradução (dessa vez só eu traduzindo e Juliana, uma das três pessoas que vai ler esse post, revisando).

Então no momento, preciso completar 4 tarefas em cada dia útil. Uma hora de escrita, uma hora de leitura, uma hora de tradução e outra hora de escrita. Bom, essa uma hora acaba sendo 45 minutos, propositalmente, mas tem funcionado.

O problema é que a noite eu geralmente só tenho 4 hrs à minha disposição. Como naturalmente eu preciso comer, fazer pausa e etc etc, essas 4 atividades que citei acabam sendo tudo o que faço a noite (ou que deveria fazer). Logo, eu estou sempre trabalhando, sem, teoricamente, ter descanso. E cansado eu fico. As vezes penso no dia seguinte e já fico cansado por antecipação. Ir pra faculdade, voltar da faculdade, ir trabalhar, voltar do trabalho e então chegar em casa e… bem, voltar a trabalhar? Eu gosto de escrever. Mas não me diverte, é dolorido e me deixa exausto.

Quanto às outras coisas, escreve para esse blog, escrever para o Dados Malditos, escrever para o Nerdaiada, escrever resenha, jogar, ver filme, trabalhar em projetos menores de escrita (e que teoricamente demandam uma regularidade maior), são coisas que acabam ficando para as horas aleatórias do dia e do fim de semana. Desses, praticamente só tenho conseguido tempo para jogar (uma das poucas coisas que me distrai, QUANDO eu não estou irritado) e escrever para o Dados Malditos. Que dá trabalho, dá canseira mas eu fico feliz de escrever (afinal, adoro RPG), mas que não é muito recompensador em termos de resposta do público.

Minha meta para esse final de ano em matéria de escrita não era muito ambiciosa, na verdade era bem humilde, mas não tem mais como bater ela. Esse ano ainda preciso terminar o conto do soldado morto (que eu não estou gostando mais, mas que preciso terminar), e então uma fanfic e um conto para a antologia do Trapeixe antes de voltar a trabalhar em A Última Morte de Ciannor Ravorak, que pretendo que seja o primeiro trabalho maior que uma noveleta que irei completar.

Devo salientar que eu estou gostando bastante de escrever posts sobre RPG no Dados Malditos e também trabalhar na tradução de Shadows of Esteren. No entanto, isso não serve para me fazer abstrair a pouca quantidade que tenho escrito. Mas tenho tentado mudar. No momento, tenho tentado escrever 4000 palavras por semana. Teoricamente, consigo escrever por volta de 1000 palavras em 2 horas. Normalmente mais. Vamos ver no que dá.

Renan Barcellos, que estava bebendo English Afternoon

e que era a única alma que ouvia as chuvas de castamere

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