A new Project appears!

Não é exatamente um projeto. Mas sim uma experiência. O fato é que eu tenho que escrever um conto para a antologia da editora 9Bravos. Bom, na verdade não tenho, mas sendo uma editora soteropolitana, coloquei em minha cabeça que sim, tenho, para prestigiar a iniciativa. Eu iria começar lá pro meio de dezembro, mas decidi fazer disso uma nova experiência, então vou começar logo.

Se você acompanha o meu blog, sabe que me baseei em um método chamado snowflake para organizar o meu primeiro livro, O Projeto SteamlessPunkless A, e se você não acompanha o blog, provavelmente não se importa.

O fato é que o snowflake é um método para se fazer design de romances. Ele auxilia o escritor a organizar as idéias e evitar pontas soltas, idéias mal planejadas em histórias grandes. Não cheguei a usar inteiramente em meu livro, mas parcialmente. Minha idéia para agora é tentar usar ele para um conto de até 9000 palavras (e se você me conhece, ele terá 9000 palavras) e ver o que sai disso. Provavelmente, terei que fazer algumas adaptações, mas ei, é uma experiência.

O método snowflake consiste em 10 passos que vão desde resumir a história em uma frase, passando por resumir os capítulos até começar a escrever o livro. Não passarei por todas as etapas porque não fariam sentido para um conto, mas ainda assim, devo chegar mais ou menos até a sete.

Dentro da proposta do blog, irei mostrar os passos e falar sobre o processo criativo. Amanhã (ou hoje mais tarde) devo começar com o primeiro passo. Eu já sei sobre o que irei escrever, será baseado em um conto curto que escrevi para a fábrica dos sonhos, com o tema Torre, na verdade, uma extensão dele. Não sei se vai ser aceito ou não na antologia, até porque a minha ideia é me inspirar em “À Procura de Kadath” do H.P Lovecraft, e isso significa que não terá diálogo nenhum e, em geral, um pouco chato para a maioria das pessoas. Não sei se serei bem sucedido, mas tenho que tentar.

O prazo para entrega do conto é até dia 10, então, é a minha meta. Vou tentar fazer algo diferente e fazer comentários dia-a-dia sobre como está sendo o processo da escrita e “design” do conto.

Como meu tempo não é infinito, essa atividade tomará o lugar da escrita do longevo conto de terror pseudo lovecraftiano e do worldbuilding de Cmyvllaeth. Não vou deixar de escrever esses dois, mas será nas horas vagas agora, não algo “oficial” que irei me preocupar.

Renan Barcellos, que bebia agua

e que também tinha algumas vinganças por fazer

 

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História Não Publicada – Capítulo 2 – Parte 2

Para entender melhor este projeto, clique aqui

Para ler o primeiro capítulo, aqui

– Olha aqui, deixa eu te mostrar…

Movimento errado. Não tinha ideia sobre porque resolveu tirar a porra da arma do bolso e mostrar para o Músico. Mais tarde se perguntaria porque não continuava enrolando como estava fazendo, podia fazer qualquer coisa, menos mostrar um revolver, perigoso e letal, para quem já tivera sua vida ameaçada e estava com nervos em frangalhos. Tudo por uma história melhor. Bom, agora iria ter que fazer alguma coisa.

– Baixa essa desgraça! – Emílio voltou a seu estado alerta.

– Calma, calma porra!

Abriu o tambor da arma de fogo com uma paciência que não imaginou que tivesse e tirou as três capsulas vazias.

– Está vendo isso aqui? Três tiros. Três pessoas. Três mortes. Caralho, três mortes.

Jogou uma das capsulas para o chão.

– Um desconhecido que jogou uma porra de uma faca em mim. – Não ousou arriscar o gesto de apontar pro próprio rosto – Ta vendo essa marca em minha testa? Foi o cabo, não a lâmina que acertou. “Kaka”. – Sorriu um sorriso enviesado.

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Conto – Arauto da Primavera

Arauto da Primavera

 

Findo o inverno, ela chegava. Em mil cores distintas no longo vestido de algodão, trazia o frescor e a alegria para os moradores da vila. Rodopiante, bailava, afastando os temores das longas noites, de um frio ainda vívido. Do sangue daquela gente, naquele dia a ceifadora do inverno, arauto da primavera.

De loiros cabelos, refulgia na Praça da Dança. Os olhos verdes eram o mar, as folhas que nasciam. Seu sorriso quebrava o gelo dos corações, convocava a todos para a eterna dança que duraria apenas um dia. O canto se misturava ao vento, se espalhando pelas matas que despertavam, pairando sobre as planícies banhadas pelo novo dia.

As garotas a paparicavam e invejavam, procurando por sua benção; rapazes de todas as idades se iam a cortejá-la, desejosos de sua graça. Mas não lhes dava atenção, o avatar da primavera. Um sorriso, uma carícia, e de vestido esvoaçante saltitava por pequenas ruas, visitando cada casa, provando do prato de cada família.

Durante todo o dia andava pelo vilarejo, trazendo a sua graça. Descalça, não se cansaria, não abandonaria a sua sina. Passeava entre os bosques e matas sombrias, nas choupanas esquecidas, de olhos orgulhosos, carregados de louvor. Com os animais metia-se em brincadeiras, o encardido da terra úmida apenas parte do seu vestir.

Quando noite, as flores desabrochariam. Iluminada pelas tochas, pela luz estrelar, a emissária do cheiro do orvalho não dançaria na solidão. O vilarejo gritaria em louvor, entrando no carnaval. A música viria dos tambores, das batidas dos pés que gingavam em êxtase. O entrelaçar dos corpos, a dança das estações.

O círculo se abre, o povo se afasta em deslumbramento. De joelhos e com olhos maravilhados, contemplam a encarnação da primavera. Marcada com o sangue de muitos, com o cheiro da terra, do suor e dos ventos, bebe do cálice da mudança, da taça de barro e madeira.

E então dança.

Dança como nunca dançou. Dança como por um ano ninguém dançaria. Possuída pelo movimento, no frenesi da luta da vida. Seus cabelos esvoaçavam, seus olhos um borrão de verde. A cada espasmo, o suor banhava a platéia em procissão. Os contemplados pela primeira dádiva da primavera choravam, emocionados, mas não emitiam som. E ela gritava, rugia, cantava, chilreava a canção, os ritos que trariam o novo, que baniriam o velho.

No auge daquele ritmo, os braços se erguiam. As pernas sapateavam e paravam. O uivo se ouvia. A faca brilhava, viva, vermelha de chamas, vermelha de sangue. Os braços se abaixavam. E a lâmina encontrava carne, trazia mais sangue para a noite da dança e dos mortos.

E ela ainda dança, o espírito da primavera. Mas as forças acabam. A Jovem cai.

Vida banha a terra desnuda.

Olhos cinza dão o verde da grama, das folhas, das árvores em copa.

Os cabelos, brancos e ressequidos, semeiam o trigo, o brilho do novo sol, o zumbir de milhares de abelhas.

Lábios pálidos para o rubor das rosas, do ventre das mulheres.

O vestido preto e branco cede seus infinitos pigmentos para as flores, plantas, inesgotáveis animais.

O barro. A terra misturada ao sangue traz a vida nova em seu meio.

Os espasmos cessam.

O movimento acaba.

A jovem morre.

A primavera chega.

E o povo dança. Até o próximo inverno.

Renan Barcellos,  que tinha uma caneca vazia

e  ouvia Steampunk Opera que não tem no youtube nem no grooveshark.

Conto – E para o Mendigo, Mais uma Vítima

E Para o mendigo, Mais uma vítima

Esta imagem do livro “Antagonistas”, do Novo Mundo das Trevas, inspirou o personagem.

Os olhos de Sarah arregalaram-se quando ela percebeu o mendigo – aquele mendigo – surgir da penumbra noturna a alguns metros atrás de Alejandro. Uma lâmina sem brilho decorava as mãos da aparição.

A mulher quis gritar, elevar sua voz estridente para alcançar a todos da redondeza em um sonoro pedido de socorro. Contudo, mesmo coxo, o mendigo era rápido, muito rápido. Mal havia ela conseguido desvencilhar-se dos apaixonados beijos de Alejandro e a ameaça já estava logo ali…

Confusão e uma pequena dose de divertimento se instalaram no semblante de Alejandro. Não havia percebido o perigo e imaginava que sua amante estivesse preparando alguma espécie de joguete. Pouco depois já não imaginava mais nada, em seu rosto estampava-se uma surpresa sofrida, enquanto no de Sarah apenas o terror. Dois palmos de um metal prateado haviam atravessado o pescoço do latino.

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A Queda do Forte Belkarrar

 Depois de um pequeno hiato, volto com mais um conto. É um conto antigo, creio que até já foi mencionado antes. Ele pertence ao cenário de Cmyvllaeth. Está desatualizado, pois muita coisa mudou desde sua concepção, contudo, vários aspectos permaneceram.

Caso os leitores peçam, farei um post explicando sua relevância para o mundo de Cmyvllaeth e de onde veio a inspiração (algo como fiz com o Anjos em Ethandun). Não irei me estender porque postei o conto na íntegra, sem divisões. Adianto que pretendo reescrevê-lo em algum momento, porque ele fala de coisas que influenciam o livro no qual estou trabalhando no momento.

Boa leitura =)

O Belkarrar tem um aspecto semelhante ao de um forte gótico…

O comandante estava em pé, numa das áreas mais altas do forte Belkarrar. Olhava, com certo pesar, para a planície logo à frente da região montanhosa em que a fortificação se situava.  Aquela era uma posição estratégica para o reino de Dwyrain, pois defendia um dos únicos caminhos conhecidos por entre a Serra dos Dois-Passos. O militar refletiu sobre aquele nome decerto agourento, sabia que histórias contadas por gerações diziam que era impossível não encontrar algo mortal após um simples caminhar. Suspirou. A cadeia de montanhas era decerto perigosa, mas as pessoas da região têm o costume de aumentar uma historia toda vez que ela é contada.

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Anjos em Ethandun – Parte 3

Perdeu o início? Leia a parte 1 aqui.

Então, a ideia desta narrativa um tanto quanto “diferente”, veio de minhas lembranças sobre o conto introdutório do livro de rpg “Lobisomem o Apocalipse”. Nele, um garoto que passou recentemente por sua primeira mudança e precisa ser ensinado nos antigos modos garou recebe uma lição de história e cultura de um lobisomem mais antigo. Na época em que escrevi Anjos em Ethandun eu tinha lido o livro apenas uma vez, por volta dos doze anos, e por algum motivo achava que nesta história introdutória o estilo da narrativa era este que usei, mas depois que reli… bom, vi que não era. Mas a influência de um ancião narrando histórias do passado para alguém que é em parte de seu povo permanece.

Uma curiosidade: o conto poderia ficar bem maior, no entanto, tive que restringir bastante minha mão, porque o intuito inicial era mandá-lo para um antologia. De última hora mudei de ideia e enviei “O bardo e o bárbaro” e “A queda do forte Belkarrar”, que eventualmente serão postados aqui.

Não muito parecidos com saxões e dinamarqueses, mas eles também têm seus contadores de história (e nativos da Dinamarca).

Sem mais delongas, a parte final do conto:

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Anjos em Ethandun – Parte 2

Anjos em Ethandum foi um conto legal de escrever. Eu tinha acabado de ler crônicas saxônicas, de Bernard Cornwell, acho que o terceiro livro, creio eu, onde o personagem Uthred narra a batalha de Ethandun, que pode-se dizer que definiu o futuro da Inglaterra.

O conto foi todo baseado numa frase que o personagem diz após a batalha. Ele reclama que mais tarde os padres cristãos iriam florear a batalha e tirar o crédito dos guerreiros, dizendo que anjos com espadas flamejantes desceram à terra para punir os inimigos de deus. À partir disso eu tive a ideia de escrever esse pequeno conto, que foi escrito por pura diversão. E que trouxe algumas horas de pesquisa também, mas eu gostei de escrever com esse tipo de narração.

As batalhas na época em que o conto se passa se pareciam muito com isso, embora a imagem mostre saxões lutando contra saxões.

Caso não tenha lido, aqui o link para a primeira parte =)

Aconteceu muito antes dos anglos ousarem chamar esta terra de Englaland, antes de Guthrum, o rei de Danelaw – pedaço de terra que os dinamarqueses conquistaram aqui, em Britannia – enfraquecesse e se cristianizasse, adotando como novo nome Æthelstan… Ora, veja só que ridículo: Um dinamarquês chamado Æthelstan. E ainda por cima o padrinho de batismo dele fora o próprio Ælfred! Me pergunto o que dirão de Guthrum daqui a alguns anos… Bem, não importa. Para o que vou contar basta saber que tudo começou com a tomada de Chippenham.

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