História Não Publicada – Capítulo 5 – Parte 2

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Eu tinha medo desse filme. Muito medo.

Na semana passada, envoltos pela escuridão e surpresos, os possuídos esqueceram interruptor por um instante. Olharam para as trevas. Não viram o escritor. Não viram Emílio. Mas sabiam de onde o caderno tinha sido disparado. Na verdade, não sabiam que porra era aquela, mas tinha vindo daquele canto da sala. Um canto ocupado por um sujeito que ainda queria chegar no fim da história.

O escritor correu abaixado, tentando não fazer barulho. Mas era difícil não fazer barulho quando se corre no escuro por um lugar desconhecido e  com armadilhas feitas especialmente para alguém tropeçar.

Três dos adversários seguiram ele, seguiram o som. O escritor rolou no chão quando caiu, sabia fazer isso.

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História Não Publicada – Capítulo 5 – Parte 1

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

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Protection from what?
Protection from what?

 

O escritor se perguntou por que diabos foram para aquele lugar. Só tinha uma saída, só tinha uma entrada. Não era o melhor lugar pra se ir. Caralho, ele tinha lido tudo o que é de zumbi que encontrara pela frente. Jogara vários jogos também. Até assistira Romero, dia, noite madrugada, a porra toda. Não que aquilo fosse realmente um zumbi, um possuído, repetiu para si mesmo. Sim possuído. No entanto fosse o que fosse, estava entrando no galpão, com seis de seus melhores amigos. Pensou em pokemon. Pensou em como sair dali. Mas seu cérebro estava em pane, eles taparam a única saída. Porra, sabia que iria se arrepender daquela merda.

Os possuídos entraram a passos lentos, como que olhando o lugar. Quase farejando. Procurando suas vítimas. Estava escuro, eles não enxergavam no breu, isso era bom. Sem visão noturna, sem bolas de fogo, pelo menos era mais fácil que Doom.

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História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 6

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Uma imagem de Tolkien, pois a alternativa era uma de Yuri

 

Emílio, no entanto, não pareceu notar a falta de interesse claramente aparente. Talvez não fosse algo complicado. Cansaço, solidão e medo fazem as pessoas ouvirem o que querem… ou algo completamente oposto ao que gostariam.

No entanto, Emílio carecia de companhia. Talvez de atenção. Ou, pelo menos, era isso o que o escritor imaginou naquele momento. E anotou em seu caderno.

– Não tenho nenhuma aqui comigo, quer dizer, claro que tenho várias na cabeça. Té umas que nem mostrei pra galera… – pareceu que iria contar algo que guardara para si, mesmo diante de seus amigos, de seus círculos. Pareceu que mostraria um pedaço de sua alma. – Ah, deixa para lá… To afim de pensar em música agora não. Porra, como você pode pensar em música numa hora dessa?

– Eu sou um escritor, você um músico. Eu penso em histórias o tempo todo. O que as vezes envolve pensar em música também. Mas se você é o que diz ser. Um criador de algo, certamente algo seu atravessou sua consciência mesmo nestes momentos em que o perigo é eminente.

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História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 5

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Commala come Ka. Porque referencias à Torre Negra e ao Ka-tet de Roland nunca são o bastante.

– Tudo isso foi sua culpa, no final. O que eu fiz apenas seguiu seus torpes esquemas. Mas se é para eu estar dentro de uma história, se você fez com que eu chegasse até, vou chegar até o final… Hugin. – disse o Escritor algumas semanas atrás, citando alguém que jamais seria visto nesta história.

Rugiu em um tom rasgado e que foi ouvido apenas para ele. Antes de se virar e sair do banheiro, teve a impressão de que sua imagem no espelho mudara o seu semblante. Que sorrira em franco desafio. Mas, como sempre, não passara de uma impressão. Ou talvez, no fundo, um desejo.

– Maldita boa memória. – Disse quando chegou até a sala principal do pequeno galpão. Não via Emílio, obra da escuridão que os protegia, mas ele atacava um dos pacotes de Cheetos.

– O que?

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História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 4

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As referências nesta parte são meio obscuras. A própria escolha da imagem é uma referência.

Em um grande clichê, anteriormente o Escritor se olhou no espelho e então sua aparência começou a ser descrita. Ele viu que sua barba estava espessa. O cabelo maior do que a muito tempo não deixava ficar. Tirou uma mexa que teimava em incomodar os olhos, por pouco não ultrapassando a altura destes e riu. Um riso estranho, descontrolado. Um clichê, pensava ele. Um muito utilizado. Um que usara em sua primeira história. Apresentar o personagem quando este olha para uma superfície reflexiva. Coisa de amador, mas usara, um dia. Qual era mesmo o nome do personagem? Mal se lembrava. Na verdade, sim, lembrava. Tão fresco na memória quanto qualquer coisa que tivesse feito segundos atrás. Mas não, não queria se lembrar do personagem de nome japonês. Não queria desenterrar o passado.

Arregalou os olhos e viu a imagem no espelho repetir o ato. Como deveria ser. Puxava as pálpebras para os lados, como se procurasse analisar o branco dos olhos. Mas era a íris e a pupila que mirava, ambas quase da mesma cor aquela distancia. Cansaço. Apenas cansaço, era o que via. Os olhos como os de um morto, como de alguém que perdera o espirito. Um riso se fez nos lábios, será que, afinal, não seria ele o possuído? Alguém que perdera o espirito, que tivera sua alma, seu eu tomado por forças maiores, forças além da compreensão humana?

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História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 3

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Uma das referências da vez foi o Lúcifer da Vertigo, de Sandman.

– O principal de um zumbi – o escritor começou a dizer para Emílio na semana passada – é a questão da transmissão de sua doença, vírus ou qualquer magia negra sobrenatural do capeta que tenha feito ele levantar do chão, não do caixão, porque eles não tem como abrir o caixão com sete palmos de terra em cima, não acredite nessas merdas. Contudo, as pessoas que nos atacaram não estão tentando nos morder, capturar para levar para algum lugar macabro ou tentar transmitir qualquer coisa que seja para nós. A não ser que de alguma forma eles saibam que seja lá o que deixou eles neste estado pode passar para a gente, mas isso seria um tanto quanto improvável. Sem contar também que uma transmissão clássica de virus zumbi não acontece assim de uma hora pra outra em todo mundo. Isso é o ponto principal eu acho. Todo mundo parece ter sido afetado ao mesmo tempo, todo mundo mesmo. Acho que vi umas quatro pessoas mortas por aí, mas tirando elas, todo mundo foi afetado e partiu para cima de mim assim que identificaram que eu não estava com ele. Isso não é coisa de zumbi. A não ser que estejamos falando de zumbi voodoo, mas eu prefiro falar, aí teríamos um ritual voodoo dos grossos pra gente encarar, que afetou todo mundo de vez. Prefiro falar de zumbis comumente usados na cultura pop.

Não soube dizer quanto tempo ficou sem falar depois disso. Apenas divagando. Lembrando do guia, dos jogos. Não lembrava de nenhum romance espetacularmente bom, apesar do quão recorrente eram zumbis, mas não queria uma história com os mortos-vivos. Ou apenas vivos, infectados. Bom, não tinham romances interessantes, mas tinha uma Hq muito boa. Seriado não tão bom contudo. E não, zumbis se apaixonando não eram romances dignos.

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História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 2

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

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Não gostei desse filme, mas ele é referenciado no texto, sooo…

 

Carrancudo, anteriormente o escritor pegou um caderno e folhas avulsas. Pensou em numerar a porra toda para depois não se perder. Mas não queria perder tempo. Uma parte lateral de sua cabeça, logo atrás das têmporas, urgia, clamando para que derramasse nas paginas o que passava em sua cabeça. Começou a escrever o que lhe vinha à mente, sobre o que havia passado nos momentos que vivera nas ultimas horas. Completava informações, escrevia capítulos novos. A caneta nanquim de ponta 0.5 riscava as paginas como um louco açoitando sua vítima com uma faca. O que escreveu era frenético, sem noção, sem técnica e sem seu característico linguajar arrojado.

Se Emílio pensou em falar alguma coisa, desistiu. Algo nos olhos do Escritor podem tê-lo demovido do intento. Mas algo nos modos do homem que escrevia também trouxe um estranho sentimento de piedade e compaixão. Algo que lhe trouxe uma inusitada confiança. Parece que não eram só os campos de batalha que faziam estranhas amizades. Não era essa a frase que procurava o escritor, mas foi a que lhe veio à cabeça.

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