Rotinas e Eu

Eu tenho um relacionamento curioso com rotinas. Não consigo produzir se não estiver dentro de um planejamento razoavelmente rigoroso e ao mesmo tempo fico chateado de estar repetindo o mesmo esquema vezes incontáveis.

Eu consigo escrever bastante quando consigo criar uma rotina de escrita. Teve um ano que eu escrevi mais de 200.000 palavras, divididas entre o livro-que-ainda-não-conclui-e-não-vai-sair-tão-cedo e contos pequenos e duas ou três noveletas (isso sem contar paginas e paginas de caderno de anotações) no entanto, cada dia é uma luta para eu conseguir estar dentro dos horários que separei para escrita (basicamente todos os horários livres, porque se não me distraio).

Então creio que, pelo menos no campo da escrita, essas rotinas são boas para mim. O problema é que elas não funcionam por muito tempo.

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História Não Publicada – Capítulo 9 – Parte um

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Um escritor à procura de uma história se vê ele mesmo em um conto de terror, ação e suspense. Sendo a sua profissão, a sua vida, a escrita, não tem muito mais o que fazer além de tentar sobreviver e tentar escrever o que lhe acontece. (esta história foi escrita sem planejamento e pelo write or die, o que está aqui é a primeira coisa que veio à cabeça do autor, na tentativa de emular as condições do personagem)

Arthur Dent é esse cara daí
Arthur Dent é esse cara daí

 

E o escritor checou sua arma pela terceira vez. Ou talvez fosse a quinta, não estava contando de verdade. É possível que uma dezena já tivesse se somado.

Fazia 20 minutos que Emílio fora embora. Tentava pensar no que faria dali em diante. Uma história precisa de coadjuvantes, era o que repetia para si mesmo baixinho, para convencer a necessidade da presença do garoto. Uma história precisa de coadjuvantes.

Checou a arma pela sétima vez. Seis balas. Mais seis de reserva, em seu bolso. O revolver .38 estava novamente alimentado e pronto para matar. “Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas.” Tinha visto isso em algum lugar, não tinha certeza se em algum carro que passava, mas um canto tímido de sua mente dizia que fora numa caminhonete, em um filme, um filme dublado, na tv.

As balas foram trazidas por Emílio, claro. O escritor só sabia de armas na teoria e, mesmo que fosse um atirador profissional, desses que faziam as balas curvarem, que acertavam moscas em suas asas, não tinha certeza se iria conseguir encontrar munição naquele lugar. Tinha certeza que não iria. Aquela cidade era um buraco de merda. Por um instante o nome fugiu á sua mente, mas logo voltou, como um pássaro pousando à janela.

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