História Não Publicada – Capítulo 4 – Parte 3

Para entender melhor este projeto (sério, é importante!).

Leia o primeiro capítulo

Uma das referências da vez foi o Lúcifer da Vertigo, de Sandman.

– O principal de um zumbi – o escritor começou a dizer para Emílio na semana passada – é a questão da transmissão de sua doença, vírus ou qualquer magia negra sobrenatural do capeta que tenha feito ele levantar do chão, não do caixão, porque eles não tem como abrir o caixão com sete palmos de terra em cima, não acredite nessas merdas. Contudo, as pessoas que nos atacaram não estão tentando nos morder, capturar para levar para algum lugar macabro ou tentar transmitir qualquer coisa que seja para nós. A não ser que de alguma forma eles saibam que seja lá o que deixou eles neste estado pode passar para a gente, mas isso seria um tanto quanto improvável. Sem contar também que uma transmissão clássica de virus zumbi não acontece assim de uma hora pra outra em todo mundo. Isso é o ponto principal eu acho. Todo mundo parece ter sido afetado ao mesmo tempo, todo mundo mesmo. Acho que vi umas quatro pessoas mortas por aí, mas tirando elas, todo mundo foi afetado e partiu para cima de mim assim que identificaram que eu não estava com ele. Isso não é coisa de zumbi. A não ser que estejamos falando de zumbi voodoo, mas eu prefiro falar, aí teríamos um ritual voodoo dos grossos pra gente encarar, que afetou todo mundo de vez. Prefiro falar de zumbis comumente usados na cultura pop.

Não soube dizer quanto tempo ficou sem falar depois disso. Apenas divagando. Lembrando do guia, dos jogos. Não lembrava de nenhum romance espetacularmente bom, apesar do quão recorrente eram zumbis, mas não queria uma história com os mortos-vivos. Ou apenas vivos, infectados. Bom, não tinham romances interessantes, mas tinha uma Hq muito boa. Seriado não tão bom contudo. E não, zumbis se apaixonando não eram romances dignos.

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Uma primeira visão da República de Darai

O Reino de Dwyrain, atual República de Darai, foi a primeira nação que criei para Cmyvllaeth e foi feito com a idéia de ser a principal ambientação para as histórias e contos que eu iria escrever. Na época em que pouco do cenário havia sido pensado, quando o plano ainda era fazer uma história puramente medieval, Darai iria ser uma nação que não se espelhava em nenhum correspondente específico de nosso mundo, seguiria a idéia medieval-fantástico, tendo suas próprias características e um pouco da mistura de várias culturas. Contudo, conforme meus planos foram indo em direção a algo vitoriano e tentando ser cada vez mais steampunk sem ser steampunk, essa noção acabou mudando um pouco.

Com a idéia do vitoriano, Darai acabou tomando como inspiração direta a Inglaterra. Não que seja de fato uma “encarnação” inglesa em um cenário de fantasia, mas toma emprestado dos bretões muitas noções e estilos. Talvez o principal deles seja a iminência de uma revolução industrial pioneira, bem como a redescoberta da magia, que também evoca esse conceito de uma quebra de paradigmas que foi realizado pela Inglaterra durante a Era Vitoriana.

Ruas em Darai, e no continente de Rehquia em geral, possuem aspectos semelhante à desta imagem

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Uma breve história da magia moderna de Darai.

Diferente da maioria dos cenários de fantasia onde a magia é um fato presente no mundo, em Cmyvllaeth ela não foi descoberta a eras atrás, possuindo um passado conturbado, e tampouco foi dádiva dos deuses para a humanidade. Pelo menos, se esse foi o caso, se alguma força divina trouxe a magia para os mortais, ela teria uma grande dificuldade em convencer os cientistas, estudiosos e magos de que essa é a realidade.

Um dia a magia foi algo grandioso, onde magos se agrupavam em grandes escolas e universidades, passando adiante o conhecimento do arcano que iria transcender as gerações. Magia era simples, dependia apenas do da força de vontade e da habilidade em manipular a energia do próprio mundo. Mas a civilização dos construtores a muito desapareceu, mas seu legado seria descoberto e a pratica da magia voltaria ao mundo.

Livre de tabus acerca explorações aos resquícios de uma poderosa nação, após anos de pesquisa feita por entusiastas acabou encontrando o primeiro livro em bom estado de conservação e este único livro, depois de feita sua tradução, acabou alvoroçando toda a comunidade científica daquele reino.

Um mago Meahdirr talvez fosse bem próximo disto. (E juro que não procurei por imagem de Raistlin, foi o primeiro mago que apareceu quando pesquisei Mage)

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Os Construtores, ou Os Meahdirr ou Aqueles que Usavam Magia

Olá, possíveis leitores. No post de hoje (que, caso se lembrem, é sobre o mundo de Cmyvllaeth), vou tentar falar sobre um dos pontos principais que fizeram com que as nações de Rehquia não seguissem uma evolução tecnológica igual à do nosso mundo. “Magia!”, alguém poderia dizer, mas não. Falarei sobre os Meahdirr (mé-Á-dir).

Por toda Rehquia é possível encontrar o que outrora podem ter sido majestosas construções, de uma arquitetura peculiar, semelhante à utilizada em Tirasli, mas ainda assim, com diferenças fundamentais. Talvez fossem de uma beleza quase idílica, como se cada galeria e cada salão fossem um mini-monumento, se comparado com o que pode ser visto nos tempos atuais de Cmyvllaeth em matéria de edificações. Contudo, tais obras se encontram em ruínas que datam além dos registros de qualquer cultura Rehquia.

Os Construtores, como ficaram conhecidos no início da colonização das terras que há muito tempo se chamavam Dwyrain, ou Os Meahdirr, como são chamados na atualidade, são um povo – ou povos, como tentam afirmar as hipóteses de alguns arqueólogos – cuja história foge a qualquer registro histórico das nações ainda vivas. Toda sua existência é torneada de mistérios, nenhuma cultura alega ter tido contato real com esse povo fantástico que existiu há milhares de anos atrás. A única prova de sua existência são as construções que deixaram para trás e que sobreviveram ao tempo.

Eu não pensava nisso quando idealizei os Meahdirr. Mas a ideia das ruínas deles espalhadas lembra o antigo reino de Arnor.

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O Argumento, Ou a Pedra Fundamental de Cmyvllaeth

Ao longo do processo de desenvolver o projeto SteamlessPunkless, ou seja, o mundo de Cmyvllaeth, surgiram algumas ideias principais que foram como guias, algo como as pedras fundamentais que sustentaram o processo de desenvolvimento deste cenário. Penso nesses pontos como aquilo que diferencia este mundo fantástico e que, quando apresentados, podem mostrar uma primeira visão de como funciona. Seria como o argumento por trás da criação, o primeiro escopo do cenário.

Neste post vou tentar falar um pouco destes temas que, à primeira vista, ou tem uma maior importância, ou um maior diferencial dentro de Cmyvllaeth.

O primeiro de tudo e mais importante é algo que já foi citado: Cmyvllaeth não é um mundo medieval.

Muitos séculos se passaram desde a “era das trevas” desse mundo, onde as grandes civilizações eram povoadas por camponeses ignorantes que aravam sua própria terra, praticavam escambo para conseguir o que eles próprios não produziam e tinham que pagar dízimo aos seus reis, que eram o poder único e absoluto. Nos tempos atuais (369 depois do grande êxodo, segundo Darai), as nações do continente de Rehki (agora chamada de Rehquia) possuem bancos, papel moeda, uma sociedade que preza a produção artística, método científico e apenas Riddahri ainda é governada por um poder absoluto.

Existem lugares onde ainda reina a selvageria e a ignorância, na própria Rehquia ainda existem povos que vivem como bárbaros em comunidades em regiões montanhosas e frias. Outros continentes também abrigam culturas menos avançadas ou simplesmente exóticas. Para todos os efeitos, Rehki é como se fosse o equivalente à Europa de Cmyvllaeth, um lugar onde o cidadão de respeito precisa estar com seu chapéu e os cavalheiros mais ricos passeiam em charretes usando terno, na maioria das vezes gravata, bengala e uma cartola ou chapéu coco, de momento em momento checando a hora nos seus insanamente caros relógios de bolso.

Alguém muito rico em Tirasli ou Darai se vestiria neste estilo.

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