O Russo Negro – Resenha

Mais Próximo do Noir do que de Agatha Christie

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Nascido na ilha da Tasmânia e morando atualmente em Sidney, Lenny Bartulin não é um autor muito comentado nas terras brasileiras, embora seu primeiro livro tenha sido publicado em 2008. Tendo pouco reconhecimento ao redor do globo, coube ao selo Casa da Palavra da editora Leya uma tímida publicação da série protagonizada por Jack Susko. O Russo Negro(Casa da Palavra; 256 páginas; 2013) é o segundo livro dos “Mistérios de Jack Susko” (“A Jack Susko Mistery”, no original. O nome da série não foi incluído na publicação brasileira), mas pode ser lido de forma independente do anterior sem que haja nenhum problema de compreensão da trama ou dos personagens.

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Zerando Minha Steam Semana 15 – Analogue: a Hate Story

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Eu sabia que Analogue: A Hate Story era um jogo curto, mas foi até mais curto do que eu esperava. Com apenas pouco mais de 3 horas de gameplay, consegui terminá-lo com um dos finais “bons”.

Depois de ter descoberto basicamente tudo de “chave” que aconteceu na nave Mugunghwa, restou apenas entender o que motivou as ações de certos personagens que viveram 600 anos antes da história do jogo começar.

Como todo o resto, foi por meio dos diários.

No jogo temos duas A.I que presenciaram os acontecimentos narrados no diário e até mesmo interagiram com alguma das peças chaves para a destruição de Mugunghwa, mas elas em momento nenhum contam o que aconteceu, apenas comentam o que o jogador descobre a partir das entradas nos diários.

Isso tem um objetivo muito claro. Christine Love, a designer do jogo, quis que os jogadores tivessem contato com os pensamentos e sentimentos dos personagens a partir de sua própria perspectiva. O jogador, não cria uma impressão sobre o que vê os personagens fazendo ou através da palavra de terceiros, mas explora o que eles sentem sobre si mesmos e entendem sobre a situação ao seu redor. Essa proposta foi muito bem executada.

No jogo, é possível conquistar alguma das garotas (as A.Is), mas isso nem de longe é importante ou é o objetivo da obra. Apesar de ser um visual novel, Analogue de forma alguma é um “simulador de namoro”. Não poderia descrevê-lo de outra forma que não uma armadilha para fazer os jogadores incautos pensarem sobre temas complexos como relações homossexuais, machismo, liberdade e entender o que uma sociedade opressiva e patriarcal pode causar a uma mulher.

É um jogo muito bom, apesar de só poder ser aproveitado por quem gosta e têm paciência para a leitura (o que em minha opinião DEVERIA ser o caso da maioria dos gamers). Uma crítica que tenho apenas é que, por questão de fortalecer o gameplay, a relação entre o personagem do jogador e as A.Is poderiam ser melhor exploradas. O relacionamento entre eles acaba avançando rápido demais e o jogo valorizando apenas um dos dois tempos que são apresentados.

Tempo total de jogo: 3 horas

Nota 8

Próximo Jogo: Another World

Renan Barcellos,   que estava bebendo chá preto

e que estava com preguiça de fugir para as montanhas

Zerando Minha Steam Semana 12 – Anachronox

Anachronox

Agora o jogo parece estar muito, muito perto do fim.

Fui de novo para Limbus, onde o Grand Mysterium disse que Boots e seus companheiros encontrariam respostas para o que estava acontecendo. Dessa vez não teve nenhum contra-tempo, nenhuma nave de super-vilão engolindo a minha e nenhum tempo perdido em um planeta que faz parte do grupo de personagens.

Chegando em Limbus, uma cena logo mostrou que tem uma espécie de portal gigante fora da atmosfera do lugar, aparentemente feito de tecnologia semelhante ás mystech, de onde algumas naves saem e buscam pousar no planeta.

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Zerando Minha Steam Semana 9 – Anachronox

Anachronox

Por incrível que pareça, por todo o tempo que joguei essa semana, eu não devo ter entrado nem mesmo em dois combates. Isso pode até ser um pouco estranho, afinal, Anachronox É um jogo de RPG. No entanto, o lado adventure dele é muito forte – como talvez eu tenha mencionado e, se não o fiz, esqueci.

Então  as mais ou menos quatro horas que joguei foram praticamente 100% legworking, conversas, descobertas e esquisitices.

Primeiro que Sly Boots teve que ir até o distrito da luz vermelha de uma estação espacial para conseguir uma das peças que a doutora precisava. Além de pessoas suspeitas, que andavam por lá em roupa de sadomasoquistas e alguns diálogos bem bizarros, Boots acabou encontrando sua antiga assistente, que agora se tornou uma assassassina e atende pelo nome de Stilletto Anyway. Sim, o nome é estúpido e o próprio Boots diz isso. Como era de se esperar, essa personagem acaba sendo utilizada para falar um pouco mais sobre o passado do protagonista. Esse pouco foi bem pouco mesmo. Pois tudo o que revela é que algo deu errado, Stilletto foi embora e Fatima morreu.

O Distrito da Luz Vermelha em Sender Station
O Distrito da Luz Vermelha em Sender Station

Depois desses encontros, de volta para a “base” dos personagens (o bar), Stilleto ajudou o robô de boots a conseguir o outro pedaço do equipamento que a doutora Bowman queria construir para detectar anomalias como a que tinham destruído o planeta dos cientistas. Foi quase um minigame essa parte. Não exatamente chato, mas não exatamente muito animador.

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Resenha – Drácula

Mais Que Uma História de Horror

Capa da minha edição
Capa da minha edição

Publicado em 1897, Drácula fomentou reações mistas no contexto vitoriano em que estava inserido. Apesar de colocado como um clássico automático do gênero do Horror Gótico, acima de obras como as de Edgar Alan Poe e de Mary Shelley, a história do conde vampiresco só foi começar a ter destaque alguns anos adentro do século XX. A obra não foi a primeira a romantizar o mito do vampiro, crédito que é concedido a John Willian Polidori com a novela “The Vampyre”, mas, apesar disto, foi o personagem do irlandês Bram Stoker que se tornou o vampiro mais conhecido do mundo e definiu várias convenções sobre as criaturas na literatura.

Plot e Estrutura

Ao contário de alguns de seus sucessores e antecessores, Drácula é principalmente uma história de terror. E isto é passado com as sutilezas normalmente atribuídas ao Horror Gótico, usando do psicológico e principalmente do medo do desconhecido. Os personagens não sabem o que é um vampiro, não possuem esse arquétipo da cultura pop enraizado neles e mal conseguem enxergar nos acontecimentos estranhos que ocorrem ao seu redor a presença do sobrenatural. Numa era de pensamento extremamente científico como a vitoriana, o tema da “Ciência vs Superstição” se revela na dificuldados protagonistas aceitarem a natureza do Conde Drácula e de seus feitos diabólicos.

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Comentários Sobre “High Noon” (Matar ou Morrer)

Não sou muito conhecedor da sétima arte, mas recentemente, por motivos que desconheço, resolvi escrever alguns comentários — que não vou ousar chamar de crítica ou review — sobre alguns filmes que tenho assistido.

O primeiro não foi High Noon, mas é o único que ainda tenho guardado. Postei originalmente no facebook.

Segue o texto:

Western em preto e branco lançado em 1952, High Noon merece o reconhecimento que tem dentro do gênero. A história mostra o delegado Will Kane (Gary Cooper) que no dia do seu casamento, quando já havia entregue a estrela de volta para a cidade, descobre que um notório bandido que ele mesmo havia prendido cinco anos atrás, estaria de volta à cidade no meio dia. Incapaz de deixar para trás o que acredita ser seu dever, Kane tem pouco mais de uma hora para preparar-se. Ao fim do prazo, Frank Miller (Ian MacDonald), junto aos seus capangas buscarão sua tão aguardada vingança.

Não se pode negar que a coisa mais acertada que o diretor Fred Zinnemann arquitetou para o filme é a forma de lidar com o tempo e como essa pressão afeta o personagem. Querido na cidade e com muitos amigos, Will Kane logo descobre que dessa vez ninguém parece ajudá-lo no tiroteio que se aproxima. Os vários relógios mostrados na cidade servem para lembrar ao personagem – e também ao público – que o tempo está acabando e que algo precisa ser feito. Usar uma passagem de tempo próxima da realidade, e sempre mostrar quanto falta para o meio dia através dos relógios, é a coisa mais marcante. A atuação de Gary Cooper também faça jus à história, e certamente merece o prêmio que recebeu, pois a cada cena, a cada nova recusa, sem nunca dizer isso, Will Kane vai ficando mais ansioso e sem esperanças. “Vá embora da cidade, Will” sugeriu mais de um de seus amigos, mas ele nunca conseguiria fazer isso.

Apesar de ser um Western, não dá para negar que existe um tratamento um tanto quanto Noir na trama. Não é a questão do preto e branco, mas a forma como todos se afastam do protagonista tão logo têm a oportunidade e como isso mostra quem realmente são. Amigos de longa data de Will Kane convencem outras pessoas a não ajudarem contra Frank Miller porque isso seria ruim para a economia da cidade. Ninguem quer que Kane morra, como, aliás, é dito por um personagem, mas cada um cuida de seu próprio assunto e considera que fez o suficiente em pedir para que o ex-delegado simplesmente vá embora, mesmo sabendo que ele não o fará e morrerá nas mãos de criminoso e seus capangas.

Além disso, é preciso destacar também a trilha sonora, que consiste principalmente em uma música criada para o filme que conta um pouco dos sentimentos tanto de Kane quanto de Miller, dando uma oportunidade de mostrar um pouco deste personagem tão importante e que só aparece nos momentos finais do filme. E são esses momentos finais que se caracterizam como a melhor parte do filme. As ruas vazias, um xerife solitário e a impressão que o apito do trem de meio-dia traz à cidade é o ponto alto do filme.

Não se contentando em ser um ótimo filme, High Noon também merece gratificações por ter introduzido Lee Van Cleef no cinema e nos westerns. Tendo um papel menor nesta obra de Zinnemann, o ator só fez crescer dentro do gênero e a atuou em mais inúmeros tiroteios. Apesar de Clint Eastwood ser a estrela da trilogia do Homem Sem Nome, os filmes não seriam o que são sem a interpretação que Van Cleef fez do pernicioso Angel Eyes e do justo e paternal Coronel Douglas Mortimer.

Nota 9

Renan Barcellos, que não estava bebendo nada

e que, embora não fosse noite, escrevia coisas pelo menos um pouquinho infames.

Resenha – O Tigre de Sharpe

O início da carreira do Rambo britânico

Capa nem boa nem ruim. Mas chama atenção, tem cara de algo histórico ou coisa parecida.

O escritor britânico Bernard Cornwell é conhecido no Brasil principalmente por seus livros que tratam de temas medievais, como Crônicas Saxônicas, as Crônicas de Arthur e a Trilogia do Graal e neles consegue mostrar um estilo muito característico, unindo fatos, possibilidades e personagens fictícios para apresentar romances históricos muito focados em guerras, grandes conquistas e batalhas. Tudo muito realista e verossímil, mostrando um lado nada fantástico dos combates e da vida que se levava na época. Contudo, as épocas onde espadas, escudos e machados dominavam não são as únicas ambientações das quais se valem o autor, sendo a sua maior série ambientada nas guerras napoleônicas e no fim do século XVII. Além de composta por mais de vinte livros, os primeiros tomos d’As Aventuras de Sharpe foram também os primeiros livros que o escritor publicou.

Conhecido no exterior como o maior personagem de Cornwell, inclusive tendo uma série sobre sua histórias (estrelada por Sean Bean, o Ned Stark de Guerra dos Tronos), Richard Sharpe é um oficial inglês marrento e de baixo nascimento, tendo ascendido em campanha nos postos do exercito britânico e portanto sofrendo de preconceito por parte de seus colegas. Nos primeiros livros escritos por Cornwell, o personagem está na Europa, nas tropas militares sob a responsabilidade pelo, naquela época, General Arthur Wellesley – primeiro duque de Wellington, futuro primeiro ministro e futuramente responsável pela derrota de Napoleão em Waterloo.

O livro O Tigre de Sharpe, embora não seja o primeiro escrito pelo autor, é cronologicamente o primeiro das histórias de Richard Sharpe. Na obra, as Guerras Napoleônicas ainda não começaram, Napoleão é conhecido apenas como um militar francês atrevido e Wellesley tem muito pouco crédito no exército britânico. Ambientado no Mysore, Índia, em 1799, no final da quarta guerra entre os ingleses da Companhia das Índias e o Reino do Mysore, o livro mostra um jovem Sharpe como soldado raso e iletrado, competente, mas insatisfeito com a vida no exército, seriamente pensando em virar a casaca e desertar em prol dos franceses. Atormentado e enganado pelo sargento Hakeswill, o protagonista acaba indo para o tronco ser chicoteado, mas no ultimo instante acaba sendo escolhido para a perigosa tarefa de, junto ao tenente Willian Lawford, se embrenhar na cidade de Seringapattan, onde reside o responsável pelas forças do Mysore – o Sultão Tippu – e resgatar as informações conseguidas por um oficial de alta patente que havia sido capturado; e que possui uma informação que pode salvar o exército inglês de uma armadilha.

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